A indústria farmacêutica a as vacinas

         



Por Gerson Brasil
As informações e a literatura médica sobre o Covid se concentram em dados estatísticos e a possibilidade da descoberta de um remédio que atenue ou combata de modo parcial ou definitivo o coranavírus. Pelo divulgado, vacinas só ficam prontas para uso num prazo de cinco a 10 anos, especialmente para doenças raras.

Achal Prabhala pesquisador e bolsista da Shuttleworth Foundation e coordenador do projeto AccessIBSA, que faz campanhas para acesso a medicamentos na Índia, Brasil e África do Sul, disse ao Intercept acreditar que a vacina do Covid estará pronta em menor tempo, porque o impacto se distribui quase que igualmente por toda sociedade.

Diante do número de mortes avassalador, as opiniões estão concentradas nas medidas que podem mitigar a propagação do Covid e, claro, sobre ao danos causados, às pessoas comuns, famosos e artistas. Mas a economia está quase parada, pela primeira vez em razão de uma gripe, e sem mercado a economia capitalista é como a rainha sem súdito, perde a majestade.

Prabhala não está sozinho na avaliação de que a vacina sairá em breve, mas faz ressalvas de como o medicamento será patenteado e distribuído, porque a droga terá origem uma ou mais empresas farmacêuticas, que globalmente vão faturar até 2023 mais de US$ 1,5 trilhão.

Gerald Posner, autor de “Pharma: Greed, Lies and the Poisoning of America” (“Indústria farmacêutica: ganância, mentiras e o envenenamento da América”, disse ao Intercep que “as empresas farmacêuticas enxergam no Covid-19 uma oportunidade de negócios sem precedentes”.

“Estão todas nessa disputa”, diz Posner, que descreve como enormes as recompensas esperadas pela vitória. A crise global “será potencialmente um imenso sucesso para a indústria em termos de vendas e lucros”, avaliou, acrescentando que “quanto pior a pandemia, maior a expectativa de lucro”.

A Food and Drug Administration concedeu recentemente à Gilead Sciences o direito de patentear e comercializar por sete anos o antiviral remdesivir, alijando outras empresas e as fabricantes de genéricos. A droga até agora é a mais bem sucedida no combate ao conoravírus.

Em 1955 Jonas Salk desenvolveu a vacina do pólio, com dinheiro público e foi celebrado como herói nos Estados Unidos. Hoje, embora as pesquisas contem com dinheiro público, os laboratórios fixam patentes e estabelecem preços.

Achal Prabhala está pesquisando uma vacina Pneumocócica Conjugada, chamada VPC ou vacina de pneumonia. A vacina atualmente em uso é monopólio da Pfizer, que já lucrou dezenas de bilhões de dólares. E pensar que o morcego participa da história, mesmo sem conta bancária.

Quando lhe perguntado se daqui para frente tudo será diferente, a vida mudará (como vem sendo apregoado), respondeu que o sentimento religioso é um dos elos da formação da cultura. Acrescentando que as misérias das neuroses estarão sempre batendo ponto e ressaltando a resposta do personagem Meursault, de O Estrangeiro”, dada ao chefe do escritório que lhe propôs uma mudança de vida, indo para a filial em Paris.”Nunca se muda de vida: em todo caso, todas se equivalem”.

Claro, haverá o empobrecimento, em razão das perdas bilionárias da economia, mas nada que não possa ser resolvido. A realidade ainda é a melhor vacina contra as vicissitudes da vida. No Yutube Carmen Miranda com aquele abacaxi na cabeça diz que anunciaram que o mundo ia se acabar. Era só o que faltava. Risos.
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Secretário de Redação da Tribuna/Colaborador do Notícia Capital