Eliana critica Bolsonaro após apoio na eleição

         



Apoiadora de Bolsonaro na eleição de 2018, a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon fez duras críticas ao presidente da República. Disse que Bolsonaro “não tem o preparo necessário” para comandar o país.

“Nós temos grupos de ministros que são de primeira linha, de primeira qualidade. A ministra da Agricultura, o ministro da Economia, o ministro da Infraestrutura. E diversos outros ministros que estão fazendo acontecer. Agora, era necessário que o maestro da orquestra, que é o presidente da República, fosse um homem que tivesse mais tranquilidade e pudesse estar aparando as arestas que forem sendo criadas por qualquer desavença que houvesse entre os poderes. Nós temos um presidente que é muito aguerrido. É uma pessoa que não contorna nada. (...) E lamentavelmente nós temos que reconhecer que ele não tem o preparo necessário para ser o maestro dessa orquestra”, declarou Calmon.

Na campanha de 2018, Calmon afirmou que preferia apoiar Bolsonaro porque sobre o governo do “PT eu já vi e não gostei”. A magistrada aposentada voltou a justificar a decisão de ficar ao lado de Bolsonaro naquela eleição. “Eu apostei porque já não aguentava mais essa divisão PT e PSDB do outro. E isso nós vemos o toma lá, dá cá, com uma grande corrupção neste país. E eu apostei no combate à corrupção, apostei numa nova forma de governo sem haver esse toma lá, dá cá. Ter um governo mais técnico, porque temos técnicos de excelência e hoje estou muito triste porque estou vendo todos os meus sonhos irem por água a abaixo”, pontuou.

Calmon atacou o Congresso. Disse que deputados e senadores fizeram “horrores” e tiraram a “oportunidade de (Bolsonaro) fazer reformas”. Também falou sobre a saída de Sergio Moro do governo. “Foi mais uma dificuldade a ser enfrentada pelo presidente da República. Quando eu olho o presidente, eu vejo uma pessoa que está como se estivesse acuada. Uma pessoa que tivesse em desespero até pelo olhar. Ele não tem tranquilidade. Moro era o aval de uma política que foi prometida e foi o grande aval para a vitória do presidente que era combate à corrupção”, avaliou.

A ex-ministra do STJ também atacou a imprensa. “Lamentável. A mídia ao tomar partido nesta grande discussão também é suspeita. De forma que os veículos de comunicação, que nos tranquilizam porque retratam os fatos de forma fidedigna, nós também estamos desconfiando dos meios de comunicação. Isso é muito ruim”, afirmou.
*Da Tribuna/Foto: Agência Brasil