Qual será a novidade de amanhã?

         



Por Eliecim Fidelis
“Uma só noite rolada por cima de um escândalo, basta para tirar-lhe o mérito da novidade”. (Aluísio Azevedo). Essa pequena passagem de O Cortiço (1890) retrata bem o que se passa nos dias de hoje em nosso país, a cada vinte e quatro horas.

Mais um ministro que sai, mais um ser humano que se vai.

Mais uma fake arremessada, outra bloqueada.

E, entre co-vid’s e co-mortes, a caixa da esperança se esvai.

Ainda se ‘processava’ a saída do ministro da in-Justiça, o da Saúde já se foi. Ainda se comentava a ausência do Mandetta, o segundo já saiu.

Nem assumiu o delegado preferido da PF, foi suspensa a nomeação. Nem foi o ato recursado, outro amigo já está ao lado.

A Regina nem chegou a se aculturar, chegou a hora de divorciar.

Nem foi apurada a rachadinha do Rio, o suplente do zero um já jogou mais água no bacio.

Nem se acabou de endeusar o Moro e garantir-lhe eleição, já começam a crucificar o ex-juiz da Lava Jato, vaza jato, e ainda desconfiam de outros atos. Pelo menos, os dois polos da bipolaridade política vigente encontraram agora um inimigo comum.

O presidente, por sua vez, ainda não saiu do comando, já fica gritando: ‘sou eu que mando’, como se fosse novidade um presidente mandar. Por que precisa repetir essa confirmação com cara de denegação? Até faz lembrar o poeta: “O homem que diz ‘sou’ não é, porque quem é mesmo é ‘não sou’”. É claro que tem os poderes a ele delegados via voto democrático, mas acontece que “poder de mando” não é “poder de desmando’. Precisa saber também que trinta por cento de uma sociedade não representam os cem por cento dela, mesmo que os trinta possam metralhar frases de efeito que deixam um ego inflado.

Enfim, nem se começou a des-indicação do uso da cloroquina, já foi incluída na infernal bipolarização a tubaína.

Qual será a novidade de amanhã?
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Escritor e psicanalista