Souto diz que queda de arrecadação não ameaça servidores

         



O secretário da Fazenda de Salvador, Paulo Souto, afirmou que a Prefeitura de Salvador registrou uma queda brutal de arrecadação em função da pandemia do novo coronavírus. Segundo o gestor, não fosse a poupança acumulada e os aportes do Governo Federal, a situação estaria extremamente grave. Sem essas receitas, ele afirma que a queda de receita chega a um patamar de 7,4%.

Ele concedeu entrevista exclusiva ao Instagram do portal TRBN (@trbn_oficial), plataforma online da Tribuna, onde falou sobre diversos assuntos. "Do ponto de vista financeiro, nós não nos preparamos para a Covid. Ninguém poderia antecipar. Mas a gestão fiscal da prefeitura permite que nós estejamos aptos até um certo horizonte a enfrentar os efeitos financeiros da Covid", ressaltou à apresentadora Fan Teixeira.

Segundo ele, as receitas próprias da prefeitura, que reúnem todos os impostos e taxas, em dois meses, em relação ao ano passado, perderam 150 milhões de reais. "Vamos começar a ter a cada mês déficits entre receita e despesa, que vamos ter que cobrir com os aportes do governo federal e a poupança", ressaltou.

Souto afirmou que os gastos com receitas não essenciais estão contingenciados. "A não ser que aconteça algo muito pior, que nós não acreditamos, vamos conseguir levar a prefeitura com normalidade". Ele também nega perspectiva de atraso de salário de servidores, além de atrasos de terceirizados e fornecedores da Prefeitura. "Entendemos, somos sensíveis, essas coisas estão dentro do nosso radar".

Questionado sobre a atuação do governo Bolsonaro, o secretário pondera: "Acho que tem muitas coisas boas no governo, mas é claro que o presidente tem um pouco dessa questão do comportamento pessoal que tem dificultado o governo. O problema da polarização excessiva traz preocupações para o governo. Vejo as coisas que estão sendo criticadas, mas quando a gente olha para o passado, essas coisas existiram também. Mas neste momento acredito que devemos ter mais flexibilidade para o Brasil sair dessa."

Ele é reticente ao avaliar a possibilidade de um processo de impeachment. "Não acompanho a cena política dessa forma, mas penso que isso seria um fator de enorme complicação no país. Penso que isso seria muito duro para o Brasil no momento político que ele está vivendo"

Ex-governador da Bahia, Paulo Souto também nega que tenha pretensões políticas. "Definitivamente não penso nisso. Já fiz uma colaboração. Outro dia estava recebendo fotografias do semiárido feitas na nossa época. É uma coisa que me emociona", relatou. "Do ponto de vista da política, estão surgindo novos nomes. Nunca se diz na política dessa água não beberei, mas não está nos meus planos".
*Da Tribuna