Lutemos por outras independências…

         



Por Victor Pinto
A luta pela independência agora é outra: livrarmo-nos do novo coronavírus e também de qualquer tipo de tirania que ameace a nossa liberdade democrática. O maldito vírus mudou rotinas, matou e ainda mata pessoas, deixa rastros de impactos negativos nas esferas econômica e social.

 

Essa rotina de reclusão, quase ditatorial, mas necessária por questões de saúde, tem mexido na nossa cultura: tivemos um período junino pouco visto na história e só impactado pela seca severa na Bahia. Agora veremos um 2 de Julho, comemoração da independência baiana, iniciada em 1823, bem diferenciada.

 

Não haverá o belo cortejo em Salvador, saindo da Lapinha ao Campo Grande, com o pomposo carro do Caboclo, que vai do Panteão até o Monumento no centro da cidade, onde no caminho vemos com diversas casas enfeitadas, o povo fazendo manifestação e os perus, bêbados e puxa sacos correndo atrás dos cortejos políticos. Tinha tudo para ser o termômetro ideal, como acontece a cada dois anos, por se tratar de um momento eleitoral. A marca será da lembrança, pois até mesmo o feriado fora antecipado.

 

Pari passu, vemos resquícios de tempos conturbados já vivenciados não muito saudáveis em diversos aspectos, cuja escalada de galope de cavalo ligeiro assusta, mas temos que enfrentar em nome e pelo Estado Democrático de Direito.

 

O hino da Independência, oficial do Estado da Bahia após sanção do então governador do Estado, Jaques Wagner (PT), decreto do idos de abril de 2010 pela lei 11.901, é muito atual. A letra do historiador Ladislau dos Santos Titara e a música de José dos Santos Barreto são um ode à liberdade.

 

Vale o registro: dos tempos atuais, em proporção de Estado, nunca um chefe do Executivo baiano valorizou tanto essas festividades como o petista, hoje senador.

 

Aqui, a Bahia, foi o único lugar onde os nativos derramaram sangue para libertar o País do jugo português, tão representativo quanto o levantar da espada da Dom Pedro I no Ipiranga. Um feito e tanto.

 

O registro nacional só veio muito tempo depois, quando através de um projeto da deputada federal Alice Portugal (PCdoB), aprovado no Congresso, a então presidente Dilma Rousseff (PT) sancionou a lei 12.819/2013 com a inclusão do feito baiano no calendário de efemérides nacionais.

 

Muitos dos nossos antepassados lutaram. Gente do povo contra soldados. Mas o combate não foi cessado: a gente luta até hoje para que o despotismo não venha mais reger as nossas ações. Não combinamos, de forma alguma, com tiranos, por mais que ameacem nossa tão suada e ideal democracia.

 

Esperemos, muito ansiosos, para o raiar do sol do dia o qual nos veremos livres dessas questões espinhosas, mas que vão passar. Esse sol vai brilhar mais do que qualquer outro, tal qual o “lumiar” do 2 de Julho.
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Editor do BNews, jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador. Twitter: @victordojornal