176 ANOS DE LUIZ TARQUÍNIO -EMPRESÁRIO PADRÃO

         



Por Joselito Conceição
Em 24 de julho de 1844, nasceu Luiz Tarquínio, filho de escrava, criança pobre, na sua adolescência, foi servente de uma loja de tecidos; depois, vendedor, cresceu, prosperou, tornou-se ilustre empresário no ramo têxtil, Prefeito da Cidade do Salvador, Conselheiro da Capital e fundador da Companhia Empório Industrial do Norte - Fábrica de Tecidos da Boa Viagem e da Vila Operária da Boa Viagem, a primeira no Brasil. Sua história extraordinária na relação Empregado x Empresa e Responsabilidade Social,quando nem sequer teríamos como conceber esse modelo de ação,exemplo tão ousado que tornou-se difícil ser imitado até os nossos dias. Viveu 59 anos, o suficiente para marcar, com sua presença, o empresariado mundial da época. O Brasil, saindo do regime monárquico para o republicano, deixando um sistema escravocrata com chagas abertas, sangrando, a falsa libertação dos escravos, tão injusta quanto cruel, aumentava a taxa de miserabilidade no País. Marcas dolorosas que perduram.

A Companhia Empório Industrial do Norte - Fábrica de Tecidos da Boa Viagem formou uma classe de operários, com ex-escravos, pescadores da região de Itapagipe e pessoas pobres da capital e do êxodo rural, que encontraram, então, nesse empreendimento, sinais de dignidade e promoção humana.

A Vila Operária da Boa Viagem, desapropriada da Companhia Empório, a fábrica que, de resto, só tem a fachada na Av. Luiz Tarquínio, contudo, dão testemunho exemplar e denunciam uma sociedade marcada pela desigualdade social. Luiz Tarquínio soube ser mestre nesse assunto. Deus queira que, em algum momento, os exemplos desse ilustre brasileiro influenciem outros na transformação dessa sociedade.

No próximo ano, a Vila Operária da Boa Viagem completa 130 anos, embora não conserve a beleza dos tempos em que foi considerada “o maior condomínio fechado da América Latina”. Ainda está de pé, no seu centro, a Estátua do seu fundador, que, mesmo abandonada, necessitada de cuidados, parece querer dizer: – Ainda é possível!

Com a palavra, o Prefeito da Capital. Sem esquecer nenhum lugar da cidade do Salvador, o que temos e vemos faz lembrar um pequeno trecho de uma canção interpretada por Caetano Veloso:

“A mim me bastava que o prefeito desse um jeito
na cidade da Bahia...”
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Diácono, radialista e jornalista