Artistas apoiam população contra Estação Elevatória de Esgoto às margens da Lagoa do Abaeté

         



A Lagoa do Abaeté recebeu o reforço de diversos artistas para substituição da Estação Elevatória de Esgoto (EEE), em suas margens, pela ligação direta para levar os efluentes sanitários do Parque do Abaeté à rede coletora. A categoria considera equivocada a instalação do equipamento no local, uma referência cultural, sagrada e ambiental de Salvador.

Margareth Menezes pede ao Governo do Estado sensibilidade para escutar a proposta da sociedade civil. “Tá existindo um movimento por parte da comunidade e uma comoção por parte das pessoas que trabalham na preservação ecológica do lugar, pedindo que se escute uma nova proposta para a colocação deste equipamento”, afirma a embaixadora do Folclore e da Cultura Popular da ONU.

Cantor, compositor e mestre de capoeira, Tonho Matéria entende que a obra ao profanar um local ancestral e sagrado, sobretudo para as religiões de matriz africana, é um ato racista. “O racismo sempre nos persegue e existem várias formas simbólicas para que tentem tomar tudo de preservação cultural e ancestral. O que estamos vendo ao longo do tempo é este pacto da construção da estação de esgoto no abaeté”.

Autor de “Terra Planeta Água”, música considerada um hino à natureza, Guilherme Arantes clama pelo atendimento, “às reivindicações culturais e comunitárias desta preocupação com a instalação desta elevatória de esgoto, nas margens da Lagoa do Abaeté, acho uma coisa inacreditável, acho que estamos num tempo que precise haver uma grita popular para que estes projetos sejam levados a cabo com muita responsabilidade”, diz o cantor.

Neto de baiana, o cantor carioca Jorge Vercillo afirma o Abaeté é um ponto turístico com uma energia única no Brasil. “Tenho certeza que a sociedade precisa participar e opinar” e “venho me juntar ao coro de que vocês para que sejam sensíveis”, conclama.

Ainda prestam apoio ao movimento #AbaetéViva, os artistas baianos Jota Veloso que considera “a implantação de uma estação de esgoto, na beira da lagoa do Abaeté, uma ideia absurda”; Jonga Lima diz que a medida é “insensível e precipitada”, além de Carlito Franca, Flávia Marques, Maria Prado de Oliveira, Seu Regi, Clécia Queiroz, Lu Santana, Rosana Paulo, Victoria Cardo’s, Roda de Samba das Mulheres, Mônica Millet, dentre outros que somam-se aos 14 mil signatários do abaixo-assinado: “Não queremos uma estação de esgoto na Lagoa do Abaeté!!!”

Degradação do ecossistema da APA Lagoas e Dunas do Abaeté: Para debater o tema, em caráter de urgência, a Ouvidoria Cidadã da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE-BA) realiza, nesta sexta-feira (4), a partir das 9h, via endereço eletrônico https://meet.google.com/agq-xheu-syx, a audiência pública: Degradação do ecossistema da APA Lagoas e Dunas do Abaeté, com finalidade de paralisação imediata de construção da elevatória de esgoto e soluções alternativas.

Iniciada, em junho, sem alvará municipal, a obra da elevatória de esgoto foi paralisada com protestos da população. No mês de agosto, a população foi surpreendida com o retorno da construção, sem placa informativa, nas margens da lagoa e, apesar da pandemia do novo coronavírus, realizou seis manifestações visando a paralisação da obra, além da apresentação ao Governo do Estado e a sociedade do projeto do Mestre e Doutor em Engenharia Sanitária, Sílvio Orrico, que substitui a EEE pela ligação direta ao mesmo destino indicado pela Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder) e Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). A proposta do professor Orrico exige investimento aproximado entre R$ 70 e 80 mil.

A obra de responsabilidade da Conder, orçada em R$ 298 mil, já eliminou parte das dunas e da flora das margens da lagoa, além de provocar a fuga de animais do seu habitat e acumular lixo. Se concluída, a elevatória de esgoto ocupará uma área de 245 m², limitadas por um muro de 2,10 metros de altura, coroado por uma serpentina elétrica. A Estação de esgoto exige manutenção quinzenal, exala mal cheiro e, o local ermo, pode ser utilizado como esconderijo de criminosos.