Tá faltando lenha na fogueira

         



Por Victor Pinto
Às vezes é chato, ninguém suporta, mas faz parte do jogo democrático: o horário eleitoral está vindo. Mas minha discussão é outra. Se todos os fatos já mostrados se repetirem teremos, muito em breve com o início do programa no rádio e televisão, uma campanha publicitária fria.


Forma tradicional de atingir as massas, o tempo específico separado para apresentar propostas e as inserções embutidas ao longo da programação das emissoras podem até ser um trunfo, apesar da eleição de Bolsonaro em 2018 provar que isso tanto faz. O processo ajuda a moldar o tom e a linha da busca dos votos de cada um dos postulantes na corrida ofegante - diante de um povo cansado com as restrições da pandemia - e, até então, amorfa pelo Palácio Thomé de Souza.


No principal colégio eleitoral baiano, vitrine futura, Bruno Reis (DEM), de ACM Neto (DEM), vem com mais tempo - justificado pelo arco de 15 partidos aliados - seguido de Major Denice (PT) - do governador Rui Costa (PT). Já Cézar Leite (PRTB), o autointitulado candidato de Bolsonaro (sem partido), divide tabela com Rodrigo Pereira (PCO): quase não terão espaço obrigatório na mídia tradicional.


A desconstrução da imagem do adversário, a demonstração da escalação do “time” apoiador, o jogo comparativo de ações e as apresentações de propostas são, basicamente, ingredientes da receita daquilo que devemos ter. Mas tá faltando sal para um movimento tão insosso que temos visto por todos os lados.


Vejamos: Se a TV e o rádio repetirem o que vimos, por exemplo, no debate da Band Bahia, nada novo será apresentado. Um debate é uma arena onde tudo pode sair por um gesto mal feito, uma palavra mal dita ou um forçoso conflito de proposições com um misto de provocação. É um processo auxiliador para o eleitor escolher o seu candidato, principalmente aquele de voto de opinião, onde em Salvador tem uma fatia importante que se enquadra nesse perfil. Mas, como bem disse, pode acontecer tudo, inclusive nada, e foi esse o resumo do primeiro confronto de ideias.


Vi, incrédulo, como outras capitais têm à disposição do eleitor um jogo mais decisivo. Uma luta mais aguerrida pelo voto. E Salvador? Parece o jogo seguir como jogado, apesar dos principais líderes partidários acreditarem que nada está definido.


As expectativas, pelo visto até aqui, com redes sociais e espaços jornalísticos, são de desanimar quem gosta da campanha, do eleitor interessado por política... e o que dirá do quinhão não interessado? Apesar da contagem regressiva para a chegada logo de novembro, torço que a entrada do rádio e de televisão consiga produzir um novo marco na campanha da capital e produza, mesmo que no distanciamento social que a pandemia ainda nos exige, um debate apropriado e mais atrativo sobre o futuro da cidade.

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Victor Pinto é editor do BNews, jornalista formado pela Ufba, especialista em gestão de empresas em radiodifusão e estudante de Direito da Ucsal. Atua na cobertura jornalística e na área administrativa de rádios em Salvador.