Uma solenidade histórica

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Por Joaci Góes

            Ao velho e bom amigo José de Freitas Mascarenhas

            Sob o comando das deputadas Alice Portugal e Lídice da Mata, realizou-se, ontem, no Plenário Ulysses Guimarães, da Câmara dos Deputados, em Brasília, importante solenidade para exaltar o significado do Dois de Julho, de 1823, no calendário cívico do Brasil. Além das deputadas Lídice da Mata e Alice Portugal, falaram o Governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, a Ministra da Cultura Margareth Menezes, a Professora Graça Leal, o Presidente do IGHB e os deputados Cláudio Cajado, Márcio Marinho, Rogéria Santos e Zé Neto, todos exaltando o significado do Dois de Julho, para que o Brasil não fosse subdividido em várias nações de língua portuguesa, a exemplo do que ocorreu com os países que compõem a América Espanhola.

            Em nosso pronunciamento, argumentamos que para nos alçarmos, nós brasileiros, em geral, ao patamar de dignidade como guardiães de legado tão grande, bastaria que equacionássemos os dois problemas essenciais, dos quais todos os outros derivam: universalização do acesso a saneamento básico e a educação de qualidade para todos os brasileiros.

            Sem dúvida, na sociedade do conhecimento em que estamos imersos, a educação é o caminho mais curto entre a pobreza e a prosperidade; o atraso e o desenvolvimento; o estado de barbárie em que já nos encontramos, acossados pela criminalidade de toda natureza que nos tira a tranquilidade pessoal e a paz coletiva, e a sociedade próspera e feliz que o povo brasileiro aspira. Uma boa educação elevará o hoje baixo patamar da produtividade brasileira, causa central de nosso atraso, em razão da má qualidade de nossa mão de obra, incapaz de agregar valor às nossas matérias primas, para consumo internacional. De outro lado, como pesquisas científicas revelam, nas populações brasileiras que não têm acesso a saneamento básico de qualidade, a média da longevidade é de, apenas, 54 anos, contra 79 de quem tem acesso a esse tão importante serviço. A Oxfam, Oxford Famine, a maior ONG do mundo, fundada na Inglaterra, em 1941, disponibiliza na INTERNET a súmula do estudo que fez a respeito, no Brasil, em relatório de 82 páginas, sob o instigante título “A distância que nos une”. Além da baixa longevidade, os jovens despossuídos de saneamento básico sofrem traumas irreversíveis no seu poder cerebral de um modo que compromete, irreversivelmente, seu nível de inteligência e, portanto, sua capacidade de aprender, a ponto de terem sua autoestima reduzida ou destruída por sua incapacidade de serem competitivos na escola como nos requerimentos da vida, levando-os a se tornarem presas fáceis do crime e da mendicância.

            Uma boa alternativa, como parte da pacificação dos ânimos que, na atualidade, antagonizam, perigosamente, os  poderes da República, as bilionárias emendas parlamentares, em sua maioria, deveriam ser destinadas à correção desse impasse sanitário que tão acentuadamente compromete a saúde física e mental de metade da população brasileira.

            Caso contrário, continuaremos a ser o País de um futuro que nunca chega, mais semelhante às miragens alucinatórias dos caminheiros que erram nas imensidões inóspitas dos grandes desertos. Ou um quadro representativo de mais da mesma realidade que levou o judeu austríaco Stefan Zweig, radicado em Petrópolis, a escrever o livro de 1941, Brasil, País do Futuro.