João Ribeiro: o mestre, o crítico, o pensador

  • Post category:CULTURA
No momento você está vendo João Ribeiro: o mestre, o crítico, o pensador

Por Gilfrancisco

Os homens de pouca alma são práticos, ativos,

rápidos e amigos da experiência. Os de muita alma são

naturezas indecisas, platônicos, inúteis e incapazes de

perceber as conveniências próprias

João Ribeiro

                              ===========

          Após seis meses fechada para obras da última reforma, foi reinaugurada em 2004 pelo governo do Estado, através da Secretaria de Cultura, a Casa de Cultura João Ribeiro, localizada no município de Laranjeiras. Tombada pelo Estado em 1973, a Casa da Cultura abriga atualmente uma pequena parte do acervo literário sobre a vida e obra dessa figura ilustre que foi João Ribeiro. [1]

                                       =====

            Depois de percorrer as escolas de Medicina e Engenharia e ter abandonado ambos os cursos, João Ribeiro conclui o curso de Direito em 1894 fixando-se no magistério. A busca da sabedoria foi trilha desse homem de inconstância e inquietação do espírito, que trouxe grande contribuição para a cultura nacional. Livre pensador, cultuador da ampla visão dos fatos, João Ribeiro não se subjugou a qualquer monitoramento. Foi um dos mais apreciáveis filólogos, no sentido mais alto do termo; servido por sólida erudição clássica e moderna. O escritor sergipano está completando 91 anos de morto, esperamos a cada dia por um João Ribeiro – redivivo de corpo inteiro.

O espectro de interesses e competências, performances intelectuais de João Ribeiro é estupendo. Na época foi considerado um dos introdutores dos novos métodos históricos, filosóficos, críticos e etnográficos, um dos mais ilustres da erudição da literatura, da linguística.  Talvez venha daí o prestígio singular da obra que deixou.

Como poucos de sua geração, ele soube abordar com maestria os mais diversos gêneros, revelando-se uma das nossas personalidades literárias mais fecundas, tendo o ensaio, a história e a crítica como seus campos preferidos. Como historiador limitou-se a escrever alguns excelentes compêndios, um dos quais, História do Brasil, para o curso superior, possuindo particular significação, pois lançou novos rumos para a compreensão do nosso processo histórico.

João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes nasceu em Laranjeiras (SE), a 24 de junho de 1860, filho de Manuel Joaquim Fernandes e Guilhermina Rosa Ribeiro Fernandes. Órfão de pai, passa a residir na casa do avô materno, descendente de judeu holandês e homem instruído que possuía em sua residência uma destacada biblioteca. Desse convívio, desde cedo, o jovem passa a se interessar por cultura geral e pintura. Aos 13 anos de idade já fazia versos, tocava flauta, piano e órgão.

Laranjeiras no século XIX fazia parte de uma região com grande poder econômico. Era grande produtora de mandioca e coco, mas tinha na indústria açucareira sua principal fonte de renda. Só não se tornou a capital de Sergipe por conta de manobras políticas, dos partidos liberais e conservador. Em terra natal fez os primeiros estudos, concluindo o curso de humanidades (1880-1881) no Atheneu Sergipense, em Aracaju, onde foi aluno estudioso e brilhante.

Em 1881 ensina inglês no Colégio Parthenon Sergipense e no ano seguinte já se encontrava na capital federal. Vejamos o que diz Silvio Romero sobre João Ribeiro nas páginas do Jornal de Sergipe de 8 de janeiro de 1882:

O Sr. João Ribeiro, felizmente, é pouco chegado a esse defeito; ele tem inspiração própria, é um bom lirista.

Continue, continue a produzir, e ver-se-á bem colocado entre os bons talentos poéticos do Brasil; o que sinto é não ter autoridade para recomendá-lo aos nossos literatos. Ele o fará por si.

 Terminados os exames preparatórios, vai para a Bahia e matricula-se, como ouvinte, no primeiro ano de medicina. Percebendo não ser a sua vocação, abandona o curso e muda-se para o Rio de Janeiro, com o propósito de matricular-se na Escola Politécnica.

Desistindo de ser engenheiro, dedica-se ao jornalismo, em que logo se destaca. Faz-se amigo de Quintino Bocaiúva, José do Patrocínio e Alcindo Guanabara. Finalmente, em 1894, João Ribeiro bacharelou-se pela Faculdade Livre de Direito, do Rio de Janeiro, onde Silvio Romero (1851-1914) foi professor. Os bacharéis em Direito formados pela Faculdade de Direito, exerciam um papel importante na sociedade, atuando em diversas áreas como política, administração pública e advocacia. Essa elite intelectualizada contribuiu para a formação do Estado nacional e para a consolidação da República. Em 1895 foi nomeado pelo Ministro da Justiça, o representante do Brasil no Congresso de Propriedade Literária de Dresden na Alemanha. Este antigo povoado eslavo, que começou a ser germanizado no século XIII, teve uma longa história como capital e residência real dos reis da Saxônia.

Na capital do Império classifica-se com destaque no concurso para oficial da Secretaria da Biblioteca Nacional, onde permanece apenas cinco anos, até ser nomeado professor do Colégio Pedro II, lecionando Português e História Universal, deixando, nessas disciplinas, livros didáticos de grande valor, feitos com uma inteligência aguda e compreensiva dos fenômenos sociais.

Entre 1885 e 1887, viaja para Alemanha, onde frequenta o curso de pintura do professor Wildeburg Winck, motivando a expor algumas telas em 1900, mas não teve uma boa acolhida pela crítica. Nesse período, visita a França e Itália, chegando até Milão para visitar seu filho Neco, acometido de pneumonia. João Ribeiro faria ainda duas outras viagens à Europa, uma em 1901, para Áustria, em missão cultural, chefiada por Joaquim Nabuco, e a outra, em maio de 1914, sendo obrigado a retornar em setembro, devido ao início da I Guerra. Já no Rio de Janeiro, passa a exercer intensa atividade jornalística.

Na busca de compreensão e estímulos a novos talentos, suas críticas aparecem nos rodapés de A Época (1888), de Zeferino Cândido, passando depois para O País (1891) e O Globo, ambos de Quintino Bocaiúva, A Semana de Valentim Magalhães, Correio do Povo, de Sampaio Ferraz, Gazeta da Tarde de José do Patrocínio, O Imparcial (1917), Jornal do Brasil (1925) e o Estado de São Paulo (1926), ora com benevolência, ora com severidade, cujas opiniões e juízos são pontificados pelo bom senso.

Múcio Leão (1898-1969), substituto de João Ribeiro como crítico no Jornal do Brasil, em 1934, responsável pela organização de sua obra, publicada pela Academia Brasileira de Letras, aponta as qualidades e os defeitos da crítica de João Ribeiro (militante por quase 50 anos), muitos dos quais decorrentes do temperamento e formação intelectual do escritor sergipano: espírito móbil, inconstante, cético, dubitativo, reticente, dentre outros.

Autor irreverente e de caráter inovador, assumiu através da crítica independente um tipo exemplar de humanismo moderno. Foi um dos primeiros a formular com clareza o problema da língua nacional, um dos mais notáveis filólogos, no sentido mais alto do termo, possuidor de sólida erudição clássica e moderna. De base, humanística e dotado de temperamento conciliante, moderador, esta rica personagem sempre mereceu consideração especial, principalmente por seu respeito aos cânones fundamentais do materialismo e do positivismo aplicado à pesquisa e à interpretação.

Tendo estreado como poeta parnasiano, Tenebrosa Lux (1881), Idílios Modernos (1882), mereceu ainda inédito, artigo e elogio de Sílvio Romero, que coloca o poeta “entre os realistas”. Dias de Sol (1884), Avena e Cítara (1885), Versos (1879-1889).

João Ribeiro trabalhou ao lado de Sílvio Romero (1851-1914) e Felisbello Freire (1858-1916), ambos diretores da Revista Sul-Americana, antiga Bibliografia Brasileira, do Centro Bibliográfico Brasileiro, onde publicou diversas poesias e alguns trabalhos de crítica, filologia e história.

Em 1898 foi eleito para ocupar a cadeira número 31, da Academia Brasileira de Letras, na vaga de Luís Guimarães Júnior (1845-1898), tomando posse em 30 de novembro, recebido por José Veríssimo, em sessão solene presidida por Machado de Assis (1839-1908). João Ribeiro é o primeiro escritor a ser eleito depois do quadro formado da entidade.

Já em idade avançada, tornava-se cada vez mais moderno e mais liberal. Desta última fase de vida, são as suas crônicas contra certos aspectos da Academia Brasileira de Letras, contra os gramáticos, contra os reacionários em geral. João Ribeiro publicou algumas páginas notáveis, não só pelo tema, como pelo estilo: O Folclore (1919), Cartas Devolvidas (1926), Floresta de Exemplo (1931). Sua extensa bibliografia – mais de 50 títulos – é um inesgotável acervo de informações filosóficas, históricas, artísticas e folclóricas.

Seus livros, alguns, vêm tendo reedições espasmódicas, mas até hoje estamos à espera que seja coligida sua produção esparsa por mais de uma dezena de periódicos durante mais de meio século de atividade jornalística.

Segundo o filólogo Antônio Houaiss (1915-1997):

 a obra de João Ribeiro uma parte nasceu destinada a livro, outra parte foi aproveitada para livro em vida dele, e uma outra faz à espera de feição em livro.

Alternando atividades na cátedra e nos jornais, João Ribeiro produziu uma vasta obra, que se tornou referência essencial aos estudos da história, da filologia e do folclore. O Laranjerense João Ribeiro faleceu a 13 de abril de 1934, na Clínica Hospitalar Estellita Lins, no Rio de Janeiro. No dia seguinte, escreve o Jornal do Comércio:

Toda a nação que lê e que pensa sabe que perde nesse homem um mestre, um puro mestre. Ele era poeta, prosador e filólogo, folclorista, esteta e crítico, romancista, humorista, polígrafo, humanista. Mais que isso, porém, era sábio. E como sábio, jornalista e professor.

Logo após sua morte, o representante na Assembleia Nacional Constituinte, deputado Deodato Maia, líder da bancada sergipana, presta homenagem ao intelectual sergipano, através de um austero discurso:

Requerimento n. 1

Requeremos a v. excia que se digne consultar à Casa no sentido de ser consignado em ata um voto de pesar pelo passamento do grande brasileiro João Ribeiro, bem como a nomeação de uma comissão para acompanhar os restos mortais do grande brasileiro – Deodato Maia, Leandro Maciel, Rodrigues Dória, Augusto Leite, Olegário Mariano, Prado Kely, Carlos Reis, Augusto de Lima, Sampaio Corrêa, Francisco de Moura, Alberto Surek, Fernando Magalhães, Henrique Dodsworth, Lino Machado, Daniel de Carvalho, Aloysio Filho, Vitor Russomano, Pereira Lira, Xavier de Oliveira, Lauro Passos, Fernandes Távora, Alcântara Machado, J. J. Seabra, Augusto Simões Lopes, Demétrio Mercio Xavier, Homero Pires.

O Sr. Deodato Maia – Peço a palavra.

O Sr. presidente – Tem a palavra para encaminhar a votação, o nobre deputado.

O Sr. Deodato Maia: (para encaminhar a votação): – Sr. Presidente, srs. Constituintes, o Estado de Sergipe, que tenho a honra de representar, vem, profundamente penalizado, trazer ao conhecimento desta augusto Assembleia a dolorosa notícia do falecimento do grande brasileiro que foi João Ribeiro Fernandes, nome que pronuncio com a mais funda saudade, com a maior admiração e o mais profundo respeito.

Não cabe, sr. presidente, na estreiteza deste necrológio, um estudo pormenorizado, detalhado, sobre a individualidade completa deste eminente conterrâneo, cuja vida, por todos os seus títulos, muito honra a plêiade de homens ilustres, que elevavam o nome do Brasil no conceito das nações cultas.

Filólogo notável, orador, poeta, historiador, conteur, crítico – João Ribeiro era um homem admirável, era um grande semeador de idéias, haja vista a volumosa obra literária e científica que nos legou.

Sr. presidente, os povos dignos honram a memória de seus grandes homens e cultuam as suas nobres ações. João Ribeiro é um destes exemplos de fortaleza moral e intelectual, uma dessas organizações como que tocadas pelo gênio, bafejadas pelo talento, enriquecidas por uma cultura invulgar.

O Estado que aqui represento, e teve a fortuna de servir de berço a tão egrégio cidadão, acreditando interpretar os sentimentos da Assembleia (muito bem), vem solicitar de v. excia., sr. presidente, a inserção, na ata de nossos trabalhos de hoje, de um voto de profundo pesar, bem como a nomeação de uma comissão para acompanhar os restos mortais do grande brasileiro, por que ele também prestou serviço intelectual à Constituição, como revisor acurado que foi do anteprojeto da Constituição.

João Ribeiro, cuja morte nós todos sentimos, e assim todo o Brasil conosco, bem merece essa justíssima manifestação da Assembleia Nacional Constituinte, esta sincera homenagem à sua venerada memória. (Muito bem; muito bem. O orador é abraçado).

Em seguida, é aprovado o requerimento.

O sr. presidente: – Em obediência ao voto da Assembleia, nomeio para constituir a comissão os srs. Deodato Maia, Olegário Mariano e Prado Kely. [2]

Sete meses após sua morte aos 74 anos de idade, o estudioso Mucio Leão (1898-1969) conclui uma série de seis conferência sobre a figura do grande pensador brasileiro, abordando a vida e a obra desta personalidade multiforme. Um ano após falecimento do escritor João Ribeiro, a edição de 16 de abril de 1935 do Diário Oficial, trazia a seguinte nota:

         Por iniciativa da Associação Sergipana de Imprensa e em homenagem à memória do grande luzeiro das letras nacionais dr. João Ribeiro, realizou-se domingo, às 10 horas, no salão nobre da Associação Comercial, a anunciada palestra do dr. João Passos Cabral, que traçou bela página em torno da vida e da atividade mental do grande sergipano.

            S. excia. O dr. Governador do Estado atendendo convite da comissão da ASI, fez-se representar pelo seu auxiliar de gabinete sr. Exupero Monteiro. [3]

Casa João Ribeiro

Visitando certa feita a casa histórica, onde veio a luz o notável sergipano, João Ribeiro e notando-a em estado de lamentável ruína, o Interventor Federal Eronides Ferreira de Carvalho, ordenou a restauração do vetusto prédio já pertencente ao patrimônio estadual e que representa um dos mais belos monumentos de Laranjeiras. Seriam 19 horas do dia 6 de fevereiro de 1934, quando penetrou o salão principal da Casa João Ribeiro, acompanhado de numerosos amigos Aldebrando Franco de Menezes, a época Prefeito da Municipalidade, sendo recebido com demonstrações de generalizada alegria de todos os presentes.

Informa a Folha da Manhã, de Aracaju, nº 14 de 8 de fevereiro, detalhadamente sobre a inauguração da Casa João Ribeiro:

Com a palavra declarou o senhor Prefeito, terminado os trabalhos de restauração da Casa em apreço e inaugurado o retrato do General Moreira Guimarães, no salão onde ora se encontra instalada a Biblioteca do seu nome, dando em seguida a palavra ao doutor Levindo Cruz, orador oficial da grata solenidade e que produziu belíssima oração.

Falaram em seguida, o causídico Sr. Orlando de Faro Borges, diretor da Biblioteca Municipal, o comerciante senhor João Nunes de Melo, e por último, o doutor Francisco Bragança, representante do general homenageado, dando em seguida o senhor Prefeito, por encerrada a edificante festa, tendo sido, empós, grandemente cumprimentado.

                                                 ======

                                             João Ribeiro

                    Felisbello Freire

          Acaba este ilustre sergipano, de dar ao público a mais exuberante prova de seu talento e de sua dedicação às letras, com a publicação de uma obra – Lições de Gramática Portuguesa.

          Nesta obra reflete-se claramente o caráter original que o autor dá as pesquisas de seu espírito.

          Dirigindo destes alguns tempos seus estudos para a filologia, João Ribeiro, alcançou firmar uma competência respeitável, que hoje os seus patrícios aplaudem com sincero entusiasmo.

          O movimento que Thierry, Grimm, Muller etc. imprimiram nos conhecimentos humanos, ficaria incompleto se Darwin, o grande filósofo inglês, não revolucionasse as teorias, fundamentando o naturalismo cientifico. Essa corrente tornou-se geral para todos os ramos de conhecimentos, pois o critério que deveria seguir as ciências biológicas deveria ter a característica do direito, da literatura, da filologia, etc.

          Ao critério histórico comparativo, sucedeu o naturalismo cientifico, duas grandes obras do século atual.

          Todas as ciências tendem a inspirar-se na biologia.

          E a grande latitude da obra de Darwin e Haechel, a natural aplicação que dá de todos os fatos, é a prova irrefutável de que a verdade está à seu lado.

          Pois bem, João Ribeiro é um naturalista na filologia.

          Para ele, esta ciência não passa de um brilhante capítulo da história natural.

          Para ele às línguas deve-se dar o mesmo conceito que na história natural às espécies.

          E nesse sentido, ninguém melhor do que o filólogo sergipano aplicou à língua portuguesa a lei da seleção, em virtude da qual tem ela evoluído. Ninguém melhor do que ele mostrou o resultado que têm produzido na língua as grandes leis da adaptação e da herança, do aperfeiçoamento e o progresso.

          Já em 1882, quando publicou o seu primeiro trabalho estudos filológicos – frisou muito a orientação naturalista que quer imprimir na linguística.

          Rejeitando o conceito absoluto que alguns naturalistas pretendem dar à palavra espécie, diz: A nosso ver, as diferenças que se notam entre as línguas, não são diferenças específicas.  Não existem espécies, mas antes, para usar de um tempo biológico, existem raças, variedades de línguas.

          Partindo dessas premissas rejeita igualmente o conceito do hibridismo, caracterizado pela infecundidade teleológico quis basear a invariedade das espécies.

          E para o autor o termo é aceito “como uma convenção derivada da necessidade terminológica”. O naturalismo científico hoje considera as espécies como variedades que começam. O mesmo conceito nutre o filólogo sergipano sobre as línguas, sobre os quais como mesmo diz, verificam-se todas as grandes leis concretas da seleção, da variabilidade, das causas medicas e fisiológicas.

          Foi debaixo dessa intuição altamente científica que João Ribeiro elaborou o seu primeiro trabalho de linguística. E ela é que serve de base à obra que acaba de dar ao público. O professorado e a mocidade de Sergipe muito teriam a lucrar, se o governo da província considerasse esse livro como o de ensino oficial. Com isso a pátria de João Ribeiro, de quem agora acaba de receber uma coroa de glória, daria um testemunho de distinção e apreço.

          A mocidade, que é a grande força latente, de cuja manifestação viva muito a pátria tem de esperar, com a leitura atenciosa e o estudo desse livro entraria cedo na apreciação do naturalismo científico, da grande teoria que domina hoje todos os conhecimentos, desprezando assim estes velhos sistemas de ideologia.

          A grande lei do consensus altamente proclamada por Spencer contém uma verdade.

          Os conhecimentos humanos são um todo harmônico.

          Qualquer modificação que se produza em uma parte, há de repercutir no todo.

          É uma verdadeira ação reflexa. E a pedagogia por certo é uma parte importante desse todo e que sofre a ação dessa lei.

          Não sei eu quem há de apresentar João Ribeiro à minha província.

          Ele já o foi com muita honra para si e glórias para sua província ao mundo literário por uma individualidade muito alta, pelo legítimo órgão dr. crítica brasileira – o dr. Silvio Romero.

          Só resta agora Sergipe cumprir o seu dever. [4]


[1] A maior parte do acervo de João Ribeiro, encontra-se na Academia Brasileira de Letras – ABL.

[2] Diário Oficial do Estado de Sergipe, 19 de abril, 1934. Republicado do Diário da Assembleia Nacional de 15 de abril, 1934.

[3] Aracaju Magazine. 2004. 

[4] A Reforma. Aracaju, nº46, 13 de novembro de 1887.

——————————————————–
Jornalista, escritor, Doutor Honoris Causa concedido pela Universidade Federal de Sergipe – UFS. Membro do Grupo Plena/CNPq/UFS e do GPCIR/CNPq/UFS – gilfrancisco.santos@gmail.com