Por Joaci Góes
Ao querido amigo, empresário, professor e político ACM Jr.
Na semana passada a Câmara de Vereadores de Salvador concedeu ao economista e empresário Luís Mendonça Filho a dupla homenagem: Cidadão Soteropolitano e a Medalha Visconde de Cairu, destinada a empresários que se notabilizam.
Quem conhece a biografia de Luís Mendonça Filho, como nós conhecemos, sabe e reconhece que poucas vezes o Plenário Cosme de Farias sediou homenagem de tamanha propriedade, de tal modo excepcional tem sido a trajetória de LM, como cidadão e construtor de riquezas, a mais de se constituir em exemplo edificante de padrão tão necessário para compensar os maus exemplos que promanam da cúpula da administração desta que ainda é uma República de Bananas chamada Brasil, a julgar pela garantia de triunfo de picaretas de toda ordem que prosperam em diferentes campos, sobretudo o político, enquanto avassalam a vida nacional, envergonhando o povo brasileiro aos olhos das pessoas decentes de dentro e de fora do País. De parabéns, portanto, os vereadores Alexandre Aleluia e Leite Matos, pelo acerto da feliz iniciativa.
A autobiografia de Luís Mendonça Filho, intitulada Sim, você também pode, é obra que deveria ser distribuída como leitura obrigatória, em alta voz, em todas as salas de aula da rede pública de ensino, dos Estados e dos Municípios Brasileiros, como instrumento motivador para que os alunos predominantemente pertencentes aos segmentos de menor renda da sociedade possam ali encontrar motivação para vencerem limitações que lhes parecem intransponíveis, habilitando-se, portanto, a conquista de horizontes aparentemente fora do alcance de suas origens e meios, consideradas limitativas de suas possibilidades de avanço econômico e social. Sem dúvida, a biografia de Luís Mendonça Filho, desde quando vendia caixa de fósforos na Feira de Água de Meninos, aos 9 anos de idade, na Cidade Baixa de Salvador, com o propósito de ganhar o suficiente para presentear a sua mãe com uma toalha felpuda, com que enxugar-se, sem deixar no corpo as marcas dos cristais que o arranhavam com o uso de toalhas feitas com os ressecados sacos de açúcar que remanesciam depois da venda que seu pai fazia do adoçante, é uma das motivações mais belas de uma biografia rocambolesca oriunda de grandes limitações para avançar e alcançar alturas que engrandecem a história dos povos.
Registre-se, como marcante coincidência, que o município de Cairu, a joia da Costa do Dendê, onde Luís Mendonça Filho nasceu, é o único município arquipélago do Brasil, onde LM e suas irmãs foram impedidos de se matricularem em escolas públicas, por determinação do Prefeito eleito em 1958, pela ominosa razão de ser o seu pai, meu saudoso amigo Luís Mendonça, adversário político do infeliz alcaide. De episódios, assim, de que há tantos exemplos na vida, deriva o meu fascínio, apesar de agnóstico, pelo preceito cristão repetido à saciedade nos templos religiosos: “Tu não sabes, agora; mas, saberás, depois!”
Como produto de uma vida dedicada ao trabalho honrado, com inteligência, disciplina e excepcional espírito associativo, Luís Mendonça construiu uma das maiores empresas de locação de veículos para múltiplos fins que há na América do Sul, ao lado de sua esposa Aurora Mendonça, médica de formação, a quem conheci quando eu e Lídice, minha mulher, merecemos a honra de apadrinhar o seu casamento, na mesma data em que paraninfei a graduação de Luís, em Economia, que foi o orador de sua turma, pela Facceba = Faculdade de Ciências Econômicas da Bahia, dirigida pelos saudosos professores José Augusto Guimarães e Frederico Vieira.
Luís Mendonça merece ter o seu nome inscrito no Panteão dos grandes construtores de uma Bahia que precisa melhorar, urgentemente, a qualidade dos seus governantes, antes que o crime organizado cresça, ainda mais, a ponto de tornar o ambiente social baiano totalmente impróprio para pessoas de bem.

