Maior expectativa de vida feminina impacta no perfil das instituições de longa permanência

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As mulheres são maioria na população idosa brasileira. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que a expectativa de vida feminina é superior à masculina no país, fator que influencia diretamente no perfil das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). No Abrigo do Salvador, aproximadamente 80% dos 120 residentes são mulheres, refletindo a tendência nacional de feminização do envelhecimento.

Segundo a instituição, a principal razão para a institucionalização não é apenas a condição de saúde, mas, sobretudo, a falta de suporte familiar estruturado e exclusivo. Ainda cercada por estigmas sociais, a institucionalização costuma ser associada, de forma equivocada, ao abandono. No entanto, a realidade vivenciada no Abrigo do Salvador revela outra perspectiva. “A institucionalização não significa rompimento de laços. Pelo contrário, trabalhamos para que eles se mantenham e se fortaleçam de uma maneira muito mais estruturada e benéfica para ambas as partes”, destaca Michele Nunes, enfermeira e subgerente do Núcleo de Assistência ao Idoso do Abrigo do Salvador.

Entre os principais desafios de saúde observados nas mulheres estão o sobrepeso e a obesidade, o que demanda acompanhamento nutricional constante, o que é possível nas ILPS. No abrigo, os residentes contam com assistência multidisciplinar 24 horas por dia, incluindo acompanhamento médico, psicológico, nutricional e suporte permanente de cuidados. A instituição oferece uma estrutura especializada, o que muitas famílias, sozinhas, não conseguem garantir em casa. A decisão, na maioria dos casos, está ligada à necessidade de cuidado contínuo e à ausência de uma rede de apoio capaz de atender às demandas do envelhecimento avançado.

Institucionalizar, nesse contexto, não representa falta de amor, mas um amor consciente, aquele que reconhece limites e entende que, naquele espaço, o idoso terá segurança, assistência permanente, convivência social e qualidade de vida. A instituição afirma que a maioria das residentes mantém contato com familiares. Grande parte dos filhos é presente e participa da rotina das mães, e o fortalecimento desses vínculos faz parte do trabalho institucional. A adaptação das novas residentes é acompanhada por uma equipe multidisciplinar, com acolhimento psicológico até a completa integração à rotina.

Além de todos os benefícios, os idosos podem contar com a convivência coletiva, o que promove melhora significativa no humor, na autoestima, na socialização e na cognição. A rotina inclui seis refeições diárias, acompanhamento multiprofissional e atividades voltadas ao estímulo cognitivo e social, como grupos de memorização e dinâmicas conduzidas pela equipe de eventos.

Com o envelhecimento acelerado da população brasileira, cresce a necessidade de discutir políticas de cuidado, fortalecimento da rede de apoio e alternativas sustentáveis de acolhimento institucional.

Sobre o Abrigo

Há mais de 90 anos o Abrigo do Salvador tem uma trajetória de dedicação ao acolhimento de idosos. Atualmente, a instituição é mantida pelo Cemitério Jardim da Saudade, que há quase 40 anos desempenha um papel social singular na cidade. Desde sua fundação, toda a renda gerada pelo cemitério é integralmente destinada à manutenção do abrigo. 100% dos recursos são revertidos para garantir cuidado, estrutura e qualidade de vida aos 120 idosos acolhidos. O modelo transforma o serviço funerário em instrumento de impacto social contínuo, assegurando sustentabilidade financeira e estabilidade institucional ao abrigo.