“Brasil é um gigante adormecido no setor nuclear mundial com grande potencial”, afirma diretor de multinacional russa

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Em entrevista ao site Notícia Capital, Ivan Dybov, diretor da Rosatom América Latina, afirmou que o Brasil é um gigante adormecido no setor nuclear mundial, ressaltando o potencial do país para a expansão da energia nuclear. O executivo destacou a atuação estratégica da estatal russa e o potencial da nação verde-amarela na área, principalmente no que tange aos projetos industriais (mineração e metalurgia).

Dybov participou do iBEM 2026 (The International Meeting on Brazil’s Energy Market / Encontro Internacional sobre o Mercado de Energia do Brasil), realizado em março deste ano, no Centro de Convenções Salvador, na Bahia. 

Durante o evento, que é uma das principais plataformas de discussão sobre transição energética na América Latina, o diretor da gigante russa multissetorial e líder mundial em tecnologias nucleares, sediada em Moscou, defendeu que a energia nuclear deve ser parte de um sistema amplo, integrando a geração, o ciclo do combustível e o desenvolvimento tecnológico.

Dybov destacou o interesse da Rosatom em trazer a tecnologia de pequenos reatores modulares (SMRs) para o Brasil, especialmente para aplicações em regiões isoladas, como a Amazônia, ou em programas vinculados ao minério e à área metalúrgica.

Ele também frisou a importância de parcerias locais. O diretor da Rosatom assegurou o reforço do ato de cooperação com o Brasil no ciclo do combustível nuclear, incluindo a conversão de urânio brasileiro e a medicina nuclear. 

Dybov esclareceu o que foi apresentado pela Rosatom no iBEM 2026, evento que focou no mercado híbrido de energia, conectando fontes renováveis e convencionais de baixo carbono. Ele detalhou porque é importante para a Rosatom participar justamente da iBEM, em Salvador.

A iBEM é uma plataforma em que a energia é discutida de forma abrangente, e é exatamente por isso que ela é importante para nós. Hoje, a Rosatom é um dos poucos players do mercado nuclear global capaz de oferecer aos parceiros uma solução completa para todo o ciclo de vida da energia nuclear. Trata-se de um acompanhamento integral do projeto de uma usina nuclear, do projeto e da construção das unidades geradoras ao fornecimento de combustível nuclear, serviços de manutenção, gestão do combustível nuclear irradiado e posterior descomissionamento das instalações”, pontuou.

E completou: “Para o Brasil, que já possui usinas nucleares em operação, isso não é apenas uma questão de fornecimento atual, mas de sustentabilidade estratégica de toda a infraestrutura nuclear para os próximos anos. A confiabilidade das entregas, a integração tecnológica de todas as etapas e a previsibilidade da cooperação ao longo de décadas tornaram-se hoje alguns dos principais fatores na escolha de um parceiro”.

Segundo o executivo, a Rosatom trabalha de forma consistente com seus parceiros também no desenvolvimento da base de recursos minerais. Entendemos que o futuro sustentável da energia nuclear é inviável sem uma postura responsável em relação aos recursos. “À medida que a demanda por urânio cresce, ganham peso não apenas a mineração em si, mas também novas soluções tecnológicas que permitem usar o combustível nuclear de forma mais eficiente, aumentar a segurança do abastecimento e, no futuro, avançar no fechamento do ciclo do combustível nuclear”, esclareceu.

O diretor da Rosatom América Latina frisou ainda que o Brasil é um país em que a agenda nuclear, há muito tempo, não se resume apenas à operação de duas unidades geradoras em funcionamento. “Há uma base própria de recursos, uma indústria forte, interesse crescente em novas soluções energéticas e uma discussão cada vez mais densa sobre o papel do país no ciclo do combustível nuclear. Isso fica especialmente claro na Bahia, por causa da região de Caetité, onde historicamente se concentra a principal base ativa de mineração de urânio do país”, finalizou.