O Instituto de Saúde e Educação do Nordeste (ISEN) realiza, ao longo do mês de maio, ações educativas nas escolas da rede municipal de Coração de Maria, a 111 km de Salvador, com foco na prevenção ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. As atividades integram a campanha Maio Laranja.
A iniciativa faz parte do programa Educaê – Juntos por uma Nova Educação e busca fortalecer o papel da comunidade escolar na prevenção, identificação e encaminhamento de situações de violência. Durante o mês, a programação inclui rodas de conversa, palestras e atividades formativas voltadas para estudantes, professores, famílias e equipes escolares, abordando temas como Maio Laranja, educação sexual em uma perspectiva psicológica, combate ao abuso sexual, inteligência emocional, importância da família e comunicação não violenta.
Entre as ações previstas no cronograma estão encontros na Escola Municipal David Mendes, com o tema “Maio Laranja: como combater o abuso sexual”, na Escola Neusa Maria, com rodas de conversa sobre educação sexual e abuso sexual em uma abordagem psicológica, e em unidades como Nossa Senhora das Graças, São Jorge, Centro Social de Pedras, Água Verde e Gastão Pedreira, com atividades voltadas principalmente para estudantes da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI).
A mobilização ocorre em um contexto de alerta nacional. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes entre janeiro e abril de 2026, aumento de 49,48% em relação ao mesmo período do ano anterior. O canal é uma das principais ferramentas oficiais para denúncia de violações de direitos humanos no país.
Para o ISEN, a escola tem papel estratégico na construção de uma rede de proteção mais ativa, pois é um dos espaços onde crianças e adolescentes convivem diariamente com adultos de referência. Por isso, as ações buscam orientar a comunidade escolar sobre a importância da escuta qualificada, do acolhimento, da atenção a mudanças de comportamento e do encaminhamento adequado aos órgãos competentes, sempre preservando a dignidade e a segurança dos estudantes.
A psicóloga Halley Victória de Almeida Lôbo Moreira, que participa de atividades do cronograma, destaca que o diálogo precisa acontecer de forma acessível e cuidadosa. “Quando a escola fala sobre prevenção, cuidado e proteção, ela ajuda crianças e adolescentes a reconhecerem situações de risco e fortalece os adultos para que saibam como agir. A prevenção passa pela informação, pela escuta e pelo compromisso de toda a comunidade escolar”, afirma.
Para o presidente do ISEN, Jubrã Ferreira, o Maio Laranja reforça a responsabilidade coletiva na proteção da infância e da adolescência. “A escola não substitui os órgãos de proteção, mas é uma parte essencial dessa rede. Quando professores, famílias, estudantes e profissionais da educação estão atentos e preparados, aumentamos as chances de prevenir violações e de garantir que crianças e adolescentes sejam acolhidos com respeito, cuidado e responsabilidade”, ressalta.
Fonte: ISEN
Foto: Divulgaçao


