Por Vicotr Pinto
Há cargos que parecem menores na geometria eleitoral, mas que guardam poder real e moeda política de alto valor e isso eu já tratei em diversas outras colunas por aqui. A suplência de senador é um deles e em 2026, nenhuma ilustra melhor essa dinâmica do que a que orbita em torno de Jaques Wagner. A mais cortejada da Bahia neste momento.
O entendimento de que o PSD precisaria ter assento na chapa não é novidade. Existe desde que o MDB garantiu a continuidade na vice-governadoria. Wagner nunca escondeu de ninguém a predileção pela indicação via Otto Alencar, seu pretenso coordenador de campanha. Dentro do PSD, o nome mais concreto até aqui é o do ex-prefeito e ex-vereador Edvaldo Brito. Contempla Antônio Brito, articulador de peso no plano nacional e figura de lealdade comprovada ao projeto petista e é também uma forma de compensar o revés que o governo sofreu em Jequié, quando Zé Cocá garantiu a vice na chapa de ACM Neto. Quem ficou de fora lá merece reconhecimento cá.
O nome de Quinho de Belo Campo circulou como alternativa, mas a leitura mais realista aponta menos para uma candidatura efetiva e mais para uma manobra de valorização de passe pessoal. É a gramática habitual dos bastidores: antes de ceder, mostra-se que se tem o que ceder e o movimento cumpriu sua função e provavelmente para por aí.
O nome Lídice da Mata, do PSB, surge na disputa do território de JW. Haveria reparação histórica na composição de quando ela foi alijada da majoritária em 2018, episódio que deixou marcas que nunca foram inteiramente apaziguadas. Incluí-la agora funcionaria como gesto de recomposição com o PSB e, de forma mais pessoal, com uma das lideranças mais longevas da esquerda baiana. A variável eleitoral reforça o argumento de que a situação da deputada federal na nominata proporcional está longe de confortável. A suplência seria uma rota alternativa de sobrevivência política.
Mas Otto aceita perder a cadeira para um partido sem comparação no tamanho do PSD? Até então, o aceno dos bastidores segue firme na direção do PSD. E Lídice, diferentemente de quem declara abertamente o interesse, ainda não bateu o martelo dos seus “quereres”. Há sondagem, há interesse de terceiros em compor o arranjo, mas não há declaração de vontade firme. Isso também impacta o aspecto da herança eleitoral do espólio de federal de Lidice da chapa da Câmara do PSB.
Para a segunda suplência, um dos caminhos que se apresentam envolvem o PCdoB e Aladilce Souza, escolha que reforça a identidade ideológica da chapa e contempla um partido com presença orgânica na base petista. Rui Costa já encaminhou Carletto do seu Avante para a primeira suplência de sua própria chapa, o que naturalmente empurra os acordos restantes para perfis mais à esquerda.
Na política, quem não decide no tempo certo corre o risco de ver a cadeira ser ocupada por outro. A suplência mais cortejada da Bahia em 2026 é, no fundo, um espelho fiel da complexidade de governar com tantos sócios e de quanto cada aliança custa para ser mantida. A conferir.

