Moradores do Bosque de Arembepe, em especial da Rua do Éden, afirmam estar vivendo uma situação de abandono e descaso que já se arrasta há mais de uma década. Segundo relatos da comunidade, desde 2014 diversas famílias solicitam à Neoenergia Coelba a instalação regular de postes e da infraestrutura necessária para o fornecimento legal de energia elétrica na localidade.
De acordo com os moradores que denunciaram a situação através do Grupo do Bosque e outros grupos de ruas diversas da localidade, que representam a comunidade, a falta de resposta da concessionária ao longo dos anos levou parte da população a recorrer a ligações informais para garantir o abastecimento de energia em suas residências. A situação ganhou novos contornos dramáticos nesta semana, quando equipes da empresa, acompanhadas por policiais militares, realizaram o corte das ligações existentes, segundo os residentes, sem qualquer aviso prévio à comunidade.
A medida deixou dezenas de famílias sem energia elétrica, provocando transtornos imediatos. Entre os mais afetados estão idosos, crianças pequenas e pessoas que dependem de medicamentos que necessitam de refrigeração. Moradores relatam que alimentos armazenados em geladeiras e freezers começaram a se deteriorar poucas horas após a interrupção do fornecimento.
“Há famílias com crianças de colo, idosos e pessoas que perderam alimentos e remédios. É uma situação desumana”, afirmou um dos moradores no grupo comunitário.
A indignação aumentou quando logo após a ação de retirada prepostos da Neoenergia apareceram e estaria exigindo cerca de R$ 1.600 por residência para a instalação individual dos postes e regularização das ligações. Para os moradores, a cobrança é considerada injusta diante da ausência de uma solução por parte da empresa durante quase dez anos.
Lideranças comunitárias informaram que pretendem encaminhar uma representação ao Ministério Público da Bahia para que o órgão investigue o caso e apure eventuais responsabilidades da concessionária. Os moradores também estudam medidas judiciais coletivas contra a Neoenergia Coelba, buscando reparação pelos prejuízos materiais decorrentes da perda de alimentos, medicamentos e demais danos causados pela interrupção do serviço.
Segundo os moradores, a reivindicação principal não é apenas a retomada do fornecimento de energia, mas também a implantação definitiva da infraestrutura elétrica necessária para atender os moradores de forma regular e segura.
Os residentes afirmam que continuarão mobilizados até que seja encontrada uma solução definitiva para um problema que, segundo eles, se arrasta há mais de dez anos sem resposta efetiva. Um abaixo-assinado está sendo feito para envio à Neoenergia e para diversas autoridades na esfera estadual e municipal.

