Por Zédejesusbarreto
No jogo de abertura da Copa, no estádio Azteca, o México venceu bem (2 x 0) a seleção da África do Sul e deu um passo largo em direção à classificação para a próxima fase da competição. Foi uma partida mais corrida do que tecnicamente bem jogada. Os mexicanos souberam tirar proveito da altitude e foram favorecidos com a expulsão de dois sul-africanos, por jogadas violentas. Arbitragem segura e rigorosa do brasileiro Wilton Sampaio.
Só o começo de uma competição que vai até 19 de julho e com muitos problemas fora dos gramados, que vão da segurança, dos ‘controles’ da imigração dos EUA, aos altos preços dos ingressos.
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Com bola rolando …
Os donos da casa começaram em cima, pressionado, marcando a saída de bola defensiva do adversário, beneficiado com a altitude. Daí, num vacilo do defensor sul-africano, que perdeu a bola nas imediações da meia lua, saiu o primeiro gol da Copa 2026.
– Gol! 1 x 0 México, aos 9min. Quiñones recebeu limpa na linha grande área e mandou bala, abrindo o marcador, inaugurando o placar da Copa. Detalhe: o meia-atacante nasceu na Colômbia, mas joga, vive e tem nacionalidade mexicana.
– Aos 42’, Quiñones acertou o pé da trave sul-africana. Só aos 44’ o time africano chutou em gol, de longe, nas mãos do goleiro.
O México foi melhor na primeira etapa, mais volume, mais objetividade.
Notícias de muita tensão fora, nas imediações do estádio, com alguns confrontos entre manifestantes e policiais.
Os donos da casa recomeçaram à toda, buscando o gol. Aos4’, o zagueiro Shitole foi expulso, depois de barrar com falta um atacante mexicano que entrava em velocidade na área. Primeira expulsão da Copa, África do Sul ficou com um atleta a menos em campo. Complicou ainda mais pros visitantes.
– Gol! 2 x 0 México, aos 22min. Jimenez, escorando na pequena área, de cabeça, um cruzamento largo da direita. Com um a mais em campo, praticamente garantindo o triunfo mexicano, na estreia.
– Aos 38’, com o auxílio do VAR, o árbitro brasileiro expulsou o jogador Zwane, da África do Sul, por agressão sem bola. Os africanos com dois atletas a menos em campo.
– Aos 45’, o defensor Montes foi também expulso, por uma entrada violenta na entrada da área mexicana, e era o último homem.
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– Choveu pela manhã na Ciudad de México e houve manifestações, protestos de grevistas e familiares de pessoas assassinadas pelos cartéis mexicanos. As imediações do estádio foram bloqueadas e protegidas pelas tropas policiais.
– Bela a chegada da equipe África do Sul ao Estádio Azteca, com cantos e danças, todos de branco. Como fosse um ritual. Expressão da cultura sul-africana, lembrando a Copa de 2010.
– Cerimônia de abertura no gramado do Azteca (2.250m/altitude), coreografias, danças típicas, cores, músicos, cantorias, vídeos, performances… destaques pra colombiana Shakira e o nigeriano Burne Boy. Depois, o tenor Bocceli. Arquibancadas cheias, torcida mexicana em verde e branco, maioria absoluta (mais de 80 mil presentes).
– Antes do apito, o desfile com as bandeiras dos 48 países que participam da competição. Presença de ex-atletas na ‘tribuna de honra’, como Cafu, Roberto Carlos, Materazzi, Puyol, Baggio…
– Arbitragem brasileira, com Wilton Pereira Sampaio no apito (sem problemas, a despeito das três expulsões, justas). Os sul-africanos em campo de amarelo dourado e os mexicanos de camisetas verdes e calções brancos.
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– Ainda no dia 11, quinta, às 23h, pela 1ª rodada do Grupo A, Rep. Tcheca x Coreia do Sul, em Guadalajara/Méx.
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– A Copa do Mundo de futebol/2026 é a 23ª edição do evento FIFA, que começou em 1930, no Uruguai, e acontece a cada quatro anos (não houve em 1942 e 1946 por conta da Segunda Guerra, de 1939 a 1945).
É a primeira Copa disputada em três países (EUA, México e Canadá/ América do Norte), com três cerimônias de abertura diferentes (uma em cada país) e om 48 seleções. Das 104 partidas previstas, 78 serão disputadas em cidades dos EUA.
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Clima de guerra
– Há uma grande expectativa pairando sobre o evento por conta de os EUA viver um momento político de turbulências, causado pelos bombardeios (guerra, de fato) norte-americanos e israelenses no Irã. Tempos de guerra. Também pelos discursos e ações agressivas do governo Trump, sua política anti-imigração, lidando com problemas domésticos de oposição e bastante hostilizado não só no Oriente Médio (palco da guerra) como por várias lideranças de países africanos e também da União Europeia.
Isso, essa questão geopolítica, explica (concordemos ou não) o forte esquema de segurança montado pelo governo Trump – o sistema de informação e de imigração -, buscando controlar tudo e todos que entram no território dos EUA. É uma questão de segurança nacional, para eles, óbvio. É preciso prevenir para que não aconteçam atos terroristas, atentados, uma bomba… vítimas.
Isso tem tirado o sono não só do governo norte-americano como também dos dirigentes da FIFA.
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Já vimos antes
Nada tão diferente do que já aconteceu em outras copas, como na Itália de Mussolini; na Alemanha, em 1974, depois do ataque terrorista aos atletas israelenses na Olimpíada de 1972; ou a dura repressão militar na Argentina, em 1978. Agora, com EUA em estado de guerra contra o Irã muçulmano, foi montado e em ação um aparato de segurança ostensivo, defensivo. Trump convive com problemas externos e internos, tem eleições parlamentares à vista, anda no fio da navalha, não dorme.
– Claro que qualquer fato ou ocorrência será usado politicamente (por um lado ou outro). Como já aconteceu, essa semana, com o árbitro Omar Artan, da Somália, que teve seu visto negado pela imigração/EUA e não vai apitar jogos por lá. Tido como um dos melhores árbitros africanos, teve de voltar pra casa e foi recebido como um herói pela multidão, em Mogadíscio (a capital da Somália, país do nordeste africano).
Ou a revista meticulosa e humilhante sofrida pelos integrantes da delegação do Senegal, na chegada, em pleno aeroporto americano. Nada de racismo, questão política, de segurança.
– A seleção do Irã (país em guerra com os EUA), fará seus três jogos pela fase de classificação (está no Grupo G, com Bélgica, Egito e Nova Zelândia) em cidades dos EUA, mas está hospedada e concentrada em Tijuana, no México, fronteira. Não podem dormir em solo dos EUA. Viagiadíssimos, ameaçam: ‘Se formos hostilizados, abandonamos a competição, voltamos pra casa’. Tomara que não.
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A desordem mundial
– Choca, sim, mas é o mundo e o momento conturbado que vivemos, lá e cá, o instante histórico de (des)humanidade em que a Copa está acontecendo. A situação interna no México, por exemplo, também preocupa. O governo da esquerdista Claudia Sheinbaum, a primeira mulher a governar o país, vive momentos dramáticos, acuado pelos cartéis de narcotraficantes, poderosíssimos, e enfrentando greves de caminhoneiros, do setor púbico de educação que vêm ocupando praças e ruas da capital mexicana. Um aparato policial enorme está nas ruas, tentando controlar as manifestações e garantir o evento esportivo sem incidências.
Que tudo termine em paz.
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Outras aberturas
Com shows musicais e tudo mais …
No dia 12, esta sexta-feira, teremos a abertura dos jogos no Canadá, em Toronto, com a partida Canadá x Bósnia, pelo Grupo B (que tem ainda Catar e Suíça). Às 16h.
No mesmo dia, sexta, haverá a abertura dos jogos nos EUA, em Los Angeles, com a partida Estados Unidos x Paraguai, pelo Grupo D (que conta também com Austrália e Turquia). Às 22h.
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O Brasil estreia no sábado, pelo grupo C, contra Marrocos, em New Jersey, às 19h. O grupo tem ainda Haiti e Escócia.
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Outras disputas
– No âmbito da comunicação, a briga pela audiência. A potente e oficialesca Rede Globo e a novata Cazé TV, apostando na reportagem e na lisura.
– No setor de contratos/material esportivo das equipes, a líder Nike (americana, 14 seleções), a Adidas (alemã, com 12) e a Puma, com 11 seleções. Note-se que esse detalhe às vezes influi até na convocação e escalação de jogadores. Aqui, jogadores que têm contrato com a Nike têm a preferência.
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E isso é só o começo.
Foto: Reprodução

