BADAMEIROS

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Por Ernane Gusmão

Não há miséria, dor mais infamante,
que a vida reservada ao badameiro.
Desfila o dia todo, o tempo inteiro,
por entre lixos seu labor volante.

Aos urubus disputa, sem desplante,
quem pega seu bocado por primeiro.
E não se sabe, ao fim, se carniceiro,
é o vulto negro, ou nosso semelhante.

Também por sentimentos muita gente
procura nos escombros, tão somente,
o que lhes mate a fome de emoções.

Ricos embora, nunca são felizes,
e enxugam vida afora as cicatrizes
que nunca fecham nos seus corações.

Poeta, musicista e médico. Membro da Academia de Cultura da Bahia