MEMÓRIAS DE UM SENEX

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Por Henrique Ribeiro

O sonho de ser um grande escritor brotou desde a infância. Ele sempre tinha uma história ou estória para contar do seu modo e do seu jeito.
Aos treze anos se apaixonou por uma linda menina de dez anos, sua colega de escola, a doce e meiga Talita,pequena morena dos olhos azuis como duas esmeraldas.
A paixão foi arrematadora, o primeiro amor e a explosão de um sentimento grandioso, envolvente e totalmente correspondido, mas durou pouco, não mais que dois anos quando a doce e maravilhosa companheira veio a falecer de uma cardiopatia complexa congênita conhecida com Tetralogia de Fallot, nome francês capaz de acabar um coração adolescente brasileiro.
A partir deste trágico momento o coração do futuro escritor adormeceu e calou-se diante da sua decepcionante história que o destino lhe pregou. Por várias vezes pegou a Bíblia e leu a passagem de Talita filha de Jairo que morreu e ressuscitou,na esperança da ressuscitação da amada, fato que para ele jamais aconteceu.
Sonhou várias vezes que ele era Dante apaixonado por ela, a Beatriz que tinha apenas nove anos.
Sonhou que era Allan Poe e ela sua prima Virgínia com quem se casou. Apesar dela ter apenas treze anos e a família ser contra por considerá-la muito jovem para um casamento.
Anos passaram e muitos julgavam e até apostavam que o amigo, colega ,vizinho e homem das letras viveria até o final da sua vida
sozinho.
Um belo dia, aos sessenta e três anos, apareceu na sua vida, Nokita, uma pequena lourinha, irreverente e indomável de apenas treze anos que só faltava botar fogo na vida da mãe, dona Beija de Araxá, uma mineira famosa pelo seu passado como uma madame dona de um bordel que recebia os grandes homens da sociedade mineira, agora disposta a esquecer seu passado, pagava o pato com essa pequena e desobediente filha.
O escritor JF acorda, de repente, para o amor, mas descobre que não seria fácil conquistar aquela linda garota e muito mais engabelar ou convencer sua mãe das suas verdadeiras intenções sobre a sua filha.
A dona Beija se encanta com o JF e esse não tem outra saída a não ser casar com a mãe para não ficar longe da filha.
A Nokita é um diabinho que se joga para cima do padrasto com insinuações sexuais que o deixa louco.
A mãe percebe o perigo e coloca-a num colégio interno. Única saída para tentar domar a feirinha.
Durante um ano e meio de internato,a Nokita aprendeu de tudo, menos o que interessa, com a devassa coleguinha Patrícia que levou a perder a virgindade com o filho da diretora do colégio, o Henry.
A dona Beija morre atropelada.
JF tira Nokita do colégio interno e resolve assumí-la, muda de cidade. Afinal o sonho está em sua mão, mas a sociedade local jamais aceitaria o relacionamento de um homem velho com uma menina. Poderia julgá-lo e condená-lo por pedofilia e até mesmo incesto.
JF pensa em ir morar na Finlândia ou qualquer outro país mais liberal onde ninguém os conhecessem e o incesto não fosse crime.
Nokita estava na vida que pediu à Deus com todas as suas vontades satisfeitas desde as materiais a sexuais.
Durante suas viagens,que não são poucas, fogem de conhecidos e possíveis vizinhos.
Nos hotéis, eles sempre se apresentavam como pai e filha da porta do quarto para fora, mas dentro do quarto são indomáveis amantes.
Nokita cansa dessa vida e desse seu velho parceiro,foge e vai viver com o filho da diretora, o Henry.
JF reconhece que o sonho acabou e que estragou a adolescência da sua enteada, volta ser o eremita apaixonado por literatura e publica vários livros sendo o mais importante: Memórias de um Senex (sessentão-sexy) o que o consagrou e virou best seller.
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Poeta, cronista e cardiologista