Da Redação
Como enfrentar o etarismo e os estigmas contra idosos, numa sociedade que valoriza ao extremo a juventude e até impõe uma cultura jovem como modelo? Para refletir sobre esse tema, o jornalista e doutor em cultura e sociedade pela Ufba Alberto Freire (@albertofreire02), conduziu a oficina “Cultura Jovem e o Etarismo na Atualidade”. O evento ocorreu nessa terça-feira (21), com idosos do Grupo Terapêutico 50+ (@_grupoterapeutico50), na sede em Pituaçu, que é liderado pelo psicólogo e professor Jonatas Tourinho (@psijonatastourinho)
A apresentação promoveu uma reflexão crítica sobre os impactos da valorização excessiva da juventude na sociedade contemporânea, discutindo o etarismo, o preconceito baseado na idade, e seus efeitos sobre a população idosa, que pode levar à exclusão, invisibilidade e estigmas das pessoas mais velhas.
Ao final da oficina, Alberto Freire destacou a possibilidade de dialogar com o grupo por meio de uma abordagem acessível e participativa, aproximando o conhecimento acadêmico das experiências de vida dos participantes. Para ele, “o Grupo Terapêutico 50+ é um exemplo concreto e elogiável de enfrentamento ao etarismo e à solidão, evidenciando o potencial transformador dos espaços coletivos de convivência, cultura e pertencimento para a valorização da pessoa idosa”.
O Grupo Terapêutico 50+ trabalha na perspectiva da prevenção para os diversos problemas sociais e individuais que surgem com o envelhecimento. O responsável técnico pelo projeto, Jonatas Tourinho, esclarece que “a proposta surgiu da inquietação em compreender como a Psicologia poderia contribuir para a promoção da saúde mental e da qualidade de vida das pessoas a partir dos 50 anos, não apenas quando o envelhecimento já estivesse instalado, mas de forma preventiva, preparando os indivíduos para vivenciarem essa etapa com autonomia, significado e bem-estar”.
Em uma sociedade que privilegia a juventude como sinônimo de sucesso e produtividade, o idoso muitas vezes, é visto como um problema e não como alguém que tem ancestralidade, saberes e experiências acumuladas, que podem ser usadas de forma criativa.
O culto à cultura jovem pode reforçar o preconceito e retroalimentar a discriminação de outras faixas etárias. Isso ocorre na comunicação, publicidade, uso da tecnologia, consumo e outros segmentos. Em geral, o idoso é frequentemente invisibilizado ou caricaturado, um modelo que exclui e silencia.
Pessoas com mais de 60 anos representam cerca de 15% dos 212 milhões de habitantes no Brasil. Isso significa uma população de quase 32 milhões de homens e mulheres, que mantêm vivos os seus desejos e necessidades, mesmo depois de cessado os vínculos com o trabalho pela aposentadoria e outras obrigações.
As projeções indicam que em 2040 a chamada “terceira idade” será de 25% da população brasileira. Nesse cenário, há uma urgência de mudar mentalidades, cultura e investimentos em políticas públicas para dar conta do envelhecimento da sociedade com maior dignidade e qualidade de vida.
Há uma inevitável urgência de mudar mentalidades, cultura e políticas públicas. Isso passa pelo fortalecimento de grupos e coletivos de idosos, como o trabalho desenvolvido pelo Grupo Terapêutico 50+, universidades da terceira idade, letramento e presença ativa no ambiente digital e nas redes sociais, valorização da memória, tradições e ancestralidades. Essas iniciativas reafirmam a importância de todas as idades na construção da sociedade, adaptadas às condições etárias e outros fatores.
O Grupo Terapêutico 50+ foi idealizado em 2023 pelo professor e psicólogo Jonatas Tourinho, durante sua atuação no curso de Psicologia da Universidade Católica do Salvador (UCSal).
Com a experiência acumulada ao longo da prática, o Grupo evoluiu para um modelo de atuação multidisciplinar, incorporando profissionais de diferentes especialidades para ampliar as possibilidades do cuidado, prevenção e promoção da saúde para idosos.
O Grupo é uma iniciativa gratuita e sem fins lucrativos, mantida pelo trabalho voluntário de profissionais, estudantes e colaboradores. A perspectiva é transformar o modelo atual em um instituto de referência na promoção do envelhecimento saudável, ampliando seu impacto social e contribuição para a pesquisa científica.
