Teremos algum candidato fujão?

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Por Victor Pinto

A Bahia entra na semana que antecede o primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado. No próximo domingo, às 20h, a Band Bahia vai abrir a temporada de confrontos da eleição de 2026. Pelo menos, até então, Jerônimo Rodrigues (PT) e ACM Neto (UB) já confirmaram presença, ao lado de Ronaldo Mansur, do PSOL. Será o reencontro televisivo dos dois principais adversários quatro anos depois do debate realizado pela TV Bahia antes do primeiro turno de 2022.

Há uma importância política especial nesse retorno: Jerônimo chega como governador, obrigado a defender um mandato, explicar problemas acumulados e demonstrar por que merece continuar e ACM Neto retorna como desafiante, depois de uma derrota que contrariou o favoritismo sustentado durante quase toda a eleição passada. Um precisará provar que o poder não o acomodou e o outro que aprendeu com 2022 e oferece algo além da revanche.

O debate rompe a proteção do horário eleitoral e do discurso controlado em eventos ou nas próprias redes sociais. Coloca os candidatos diante do contraditório, do relógio e do imprevisto, pois não basta repetir frases treinadas: é preciso responder, reagir e sustentar argumentos quando o adversário escolhe o assunto. É justamente aí que o eleitor mais atento e menos apaixonado consegue observar temperamento, domínio dos problemas e a pura capacidade de decisão com pressão.

Pela minha ligeira experiência em eleições, acredito que debates raramente transformam sozinhos um processo eleitoral, mas podem reorganizar disputas acirradas. Um erro, uma resposta evasiva ou uma acusação sem réplica circulam depois em vídeos, cortes e mensagens. O programa termina na televisão e também no rádio, porém continua por dias nas redes, onde as campanhas disputarão a interpretação de quem venceu e de quem perdeu.

Existe também o dilema da presença. O favorito tende a enxergar mais riscos do que ganhos, enquanto o adversário procura o confronto para alterar a dinâmica da campanha. Mas faltar tem custo: a cadeira vazia ganha significado e permite que os concorrentes definam as razões da ausência. Em 2022, Jerônimo não compareceu aos debates do segundo turno e foi acusado por ACM Neto de desrespeitar o eleitor, mesmo o ex-prefeito só se fazendo presente em um confrontro do primeiro turno do pleito passado.

Por isso, qualquer desistência agora produziria uma pergunta inevitável: quem chamaria quem de fujão? O passado recente oferece munição para os dois campos, porque a ausência em debates já foi usada como cálculo político por diferentes candidaturas.

A eleição baiana tende a ser apertada, marcada pela comparação direta entre dois projetos conhecidos e dois líderes que carregam responsabilidades anteriores. Nesse contexto, o confronto não deveria ser encarado como favor concedido às emissoras nem como armadilha montada pelos adversários. Ele integra o dever democrático de quem pede o voto.

No domingo, a Band oferece o palco e aos candidatos caberá comparecer para explicar qual Bahia pretendem governar. Cabe ao eleitor observar também aquilo que os discursos cuidadosamente produzidos procuram esconder. A conferir.