Por Antônio Lins
Há políticos que caem na chuva
e juram que o céu está seco.
Há outros que entram num lamaçal
e garantem que aquilo é perfume
Jaques Wagner, segundo seus diletos opositores,
parece pertencer à segunda categoria.
Quando surgem perguntas,
ele responde com a maior cara de pau.
“Eu? Não sei de nada!”
E a neblina vira fumaça,
a fumaça vira discurso
A Polícia Federal investiga,
a imprensa pergunta,
os adversários gritam,
e o senador fica olhando para o céu, com cara de paisagem.
Dizem que ele aprendeu com Lula da Silva.
É o velho jeitinho brasileiro:
ninguém conhece ninguém,
ninguém viu ninguém,
ninguém assinou nada
e, no entanto, todo mundo aparece na fotografia.
Zé Limeira explicaria:
“Foi um peixe que votou,
numa eleição realizada
dentro de uma chaleira!”
O Barão de Itararé pediria serenidade:
“Se a confusão é grande,
nomeiem uma comissão para confundi-la melhor.”
E Stanislaw Ponte Preta,
lá do céu da irreverência,
talvez perguntasse:
“Quando a cara de pau vira patrimônio histórico?”
Ô Jaques Wagner, meu chapa ,
um conselho deste cronista:
a Bahia já tem problemas demais.
Não precisa de mais discursos,
e acrobacias verbais.
Volta pro Rio de Janeiro, bobo!
E deixa a velha Bahia em paz.
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Poeta, escritor, dramaturgo e comentarista

