Por Zédejesusbarreto
Um triunfo (2 x 1) com muitos significados. A quebra de um tabu, fim da freguesia, três pontos ganhos (agora 46) que já espantam qualquer possibilidade de queda, a 10 rodadas do final, a entrada da equipe no grupo de elite dos quatro primeiros (o seleto G-4) que garante vaga direta na Libertadores de 2027 e, mais ainda, o tricolor alcança a marca inédita de 11 jogos seguidos invicto na competição. Rogério venceu a primeira para Leo Condé, e venceu convencendo, porque o Bahia foi superior ao valoroso adversário a maior parte da partida e criou oportunidades para fazer um placar de 4 ou 5 gols. Desperdiçou chances e parou também no bom goleiro Marcelo Rangel, um dos destaques do jogo.
No primeiro tempo o Bahia foi absoluto, na segunda etapa o Remo, na valentia, partiu pra cima e criou algumas dificuldades para a defesa baiana, mas o gol remista só saiu no último lance do jogo, já nos acréscimos, num pênalti meio ‘mandrake’ arranjado pelo bom árbitro pernambucano. Mesmo no segundo tempo, com as ações mais equilibradas, o Remo no desespero, foi o Bahia que desperdiçou as melhores chances. Um bom resultado, o torcedor gostou.
**
Na Fonte Nova
– Noite de segunda-feira com lua crescente, primavera chegando e um bom público (em torno dos 35mil) nas arquibancadas; o torcedor tricolor ansioso por triunfo do Bahia contra um adversário que venceu as três partidas disputadas este ano – 4 x 1 em Belém, 3 x 1 em Salvador pela Copa do Brasil e 2 x 1 novamente na capital paraense pelo primeiro turno do Brasileirão. Um calo dolorido, tabu, freguesia. Rogério Ceni levou três remadas nas fuças de Leo Condé.
– Mais que uma vingança, com um triunfo o Tricolor assumiria a quarta posição na tabela de classificação, terminando a 27ª rodada no privilegiado G-4, o topo (o time tinha 43 pontos, foi a 46). Primeira partida da equipe sem o bom zagueiro argentino Ramos Mingo, negociado com o América do México, e mais o desfalque de Erick, suspenso.
– Já o Remo, mesmo jogando bem em Belém e encardindo partidas fora de casa, ocupa a zona do desespero, a Z-4, é candidatíssimo ao rebaixamento (está em 19º lugar, com 23 pontos).
– O Bahia estreou o uniforme Padrão III, uma homenagem aos chamados ‘povos originários’; presença de lideranças e representantes de comunidades indígenas como os Pataxó, com indumentárias e adereços. Os atletas tricolores entraram no gramado acompanhados de crianças (miúdos) de linhagens nativas.
– O Tricolor, pois, com camisetas e calções num azul escuro e detalhes dourados; o Remo de branco total, detalhes em azul.
*
Com bola rolando…
– Começo pegado, corrido, o Tricolor tomando as iniciativas, trocando passes, e o time paraense fechadinho atrás, na arapuca dos contragolpes em velocidade, manhoso e traiçoeiro, por uma bola. As equipes se conhecem bem. As ações se desenrolando pelas intermediárias, nenhum lance de área nos primeiros 15 minutos.
– Aos 16’, primeiro chute, frontal mas de longe, de Juba, Marcelo Rangel catou bem, por baixo. Na sequência, Pulga tentou, já na área adversária, mas foi travado pela zaga.
– Gol! 1 x 0 Bahia, Jean Lucas, aos 20min. Tchamba vacilou, Kike roubou, invadiu pela direita, rolou pra trás e Jean Lucas finalizou, acertou o canto.
– O Remo, até então acuado, tinha de sair pro jogo, atacar. Aos 27’, Pulga tabelou com Juba e Nestor bateu forte, Marcelo Rangel fez uma defesaça. Aos 30’, Nestor bateu falta frontal, perto da meia lua, Marcelo foi buscar no canto, no rebote, o goleirão, já se destacando, salvou o segundo.
– Os paraenses subiram suas linhas de marcação, saindo do sufoco, equilibrando mais as ações no meio-campo. Aos 43’, em boa trama de kike, Jena Lucas, Pulga acertou a trave de Marcelo Rangel, já batido. Aos 45’, Kike cruzou na cabeça de Veliz, a testada passou triscando o poste de Marcelo, já vencido.
O Bahia dominou as ações no primeiro tempo, fez 1 x 0 e criou umas quatro chances claras de ampliar. Jogou inteiro no campo adversário, com mais posse de bola (64%) e pouco sofreu atrás, sem dar chances ao contragolpe do Remo. Mas o placar mínimo não garantia nada. O adversário, muito precavido, mas tinhoso. Nada definido. Destaques para o goleiro Marcelo Rangel, evitou um placar mais elástico; Kike, Jean Lucas, a postura coletiva do Tricolor.
– Segundo ato: – Leo Condé fez três substituições Ze Wélison, Tagliari e Vitor Bueno em campo. Em tese, mudanças ofensivas, o Remo precisava mudar o panorama e o placar. Aos 5’, saiu Jajá, entrou Alef Manga.
– Aos 6’, Pulga perdeu um gol incrível, de frente, após ótimo cruzamento de Kike; de cara pro gol, livre, bateu por cima. Aos 7’, arremate cruzado de Kike, Marcelo Rangel espalmou. O Bahia continuava em cima, pressionando. Aos 8’, Alejo Veliz recebeu de Pulga e arrematou, meio travado pela zaga, a bola passou por cima, perto. Chance seguidas do Tricolor, bem mais agressivo.
– A partida mais franca, o Remo pegando forte (com faltas), postura mais avançada, o Bahia com mais espaços, chegando mais. Aos 20’, outra finalização de Kike, o goleiro catou. Aos 25’, Kanu testou para as redes um cruzamento de Nestor, mas a arbitragem invalidou o gol, por impedimento.
– Aos 27’, Vitor Bueno disparou uma bomba, de longe, a bola raspou o poste de Ronaldo, com muito perigo. O Remo equilibrou, arriscando tudo. Tagliari, num contragolpe, arriscou mais uma vez de longe, Ronaldo defendeu. O jogo fica tenso. Novo chute de Vitor Bueno, Ronaldo exigido. O Remo em cima, pressionando, alçando bolas na área baiana, ao tudo ou nada.
– Então, Ceni tomou providências – Ademir, Caio Alexandre e Everton Ribeiro em campo, aos 33 minutos. Aos 36’, cruzamento de Ademir, testada de Nestor, passou rente. O Tricolor tenta sair do sufoco, voltando a atacar. Aos 43’, Ademir arrancou, Veliz foi derrubado na área, o árbitro marcou o pênalti. Mais seis minutos de jogo.
– Gol! 2 x 0 Bahia, Juba! Bateu forte, colocado, sem defesa.
– Aos 48’, o árbitro viu pênalti de Everton Ribeiro em Poveda, numa bola dividida e travada na área tricolor. Os tricolores reclamaram de uma falta clara, antes, em Caio Alexandre.
– Gol! 2 x 1 , Vitor Bueno bateu forte a penalidade, diminuindo.
Ceni pôs Everaldo em campo. Acabou.
*
Destaques
– No Bahia, Kike fez seu melhor jogo com a camisa tricolor. Bom primeiro tempo de Jean Lucas. O coletivo, a postura competitiva.
No Remo, o bom goleiro Marcelo, evitou um placar maior. Vitor Bueno entrou bem, chuta de longe. Não faltou luta aos paraenses, deram trabalho no segundo tempo.
*
Ficha Técnica
– O Tricolor escalado por Rogério Ceni: Ronaldo, Marcos Vitor, David Duarte, Kanu e Juba; Acevedo, Jean Lucas, Nestor; Kike, Alejo Veliz e Pulga. (Roman Gomez, Everton Ribeiro, Caio Alexandre, Ademir, Everaldo)
– O Remo do treinador Leo Condé: Marcelo Rangel, Zé Ivaldo, Tchamba e Matheus Felipe; Pikachu, Picco, Ze Ricardo, Patrick e Marlon; Galeano e Jajá (Alef Manga, Ze Wélison, Tagliari, Vitor Bueno, Poveda).
– No apito, o pernambucano Rodrigo José Pereira Lima (boa atuação, a despeito do pênalti marcado contra o Bahia; Everton não fez a penalidade e, instantes antes Caio Alexandre sofreu falta, ele não deu e na sequência… Mas é um bom árbitro.
*
Pela rodada 28ª o Tricolor enfrenta o Athlético Paranaense, na arena do Furacão, em Curitiba, o rubro-negro local é o 3º colocado. Briga de cachorro grande.
**
Foto: Catarina Brandão / EC Bahia

