Os nervos da reta final

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Por Victor Pinto

A reta final da campanha baiana tem uma disputa que não consegue ser traduzida nas pesquisas com a mesma veemência do que o resultado do DataPovo do próximo dia 4: quem consegue manter seus aliados trabalhando enquanto obriga o adversário a gastar energia com problemas. Com a próxima AtlasIntel prevista apenas para a última semana, a ansiedade cresce, a minha é certeza. Até lá, cada movimento alimenta expectativas de vitória e receios de derrota.

Não acredito que o inferno astral de ACM Neto, entre dificuldades internas e desdobramentos jurídicos, provoque um terremoto eleitoral. O eleitor não acompanha cada episódio com a intensidade dos comitês, mas isso não elimina efeitos sobre indecisos e votos de opinião. Numa eleição ainda acirrada, uma oscilação pequena pode decidir. Mas vejo um objetivo mais imediato nessa pressão que é 1) abater a equipe, 2) ocupar a coordenação e 3) dividir o tempo entre avançar e responder.

O caso Banco Master virou chumbo trocado. PT e aliados pedem ao STF publicidade dos autos envolvendo ACM Neto. União Brasil e PP acionam a PGR para avaliar o afastamento de Eduardo Sodré, secretário do Meio Ambiente de Jerônimo Rodrigues, citado na investigação. São pedidos diferentes, nenhum comprova culpa. Politicamente, porém, os protocolos já produzem manchetes antes das decisões. Tem bambu e tem flecha. Cada campo tenta impor ao outro uma agenda de explicações.

Enquanto isso, acontece uma disputa menos ruidosa pelas estruturas municipais. Uma fonte de trânsito no Palácio de Ondina me relatou uma abordagem do núcleo netista: procurar prefeitos comprometidos com Jerônimo sem exigir rompimento público. O pedido seria liberar um, dois ou três vereadores, ou o vice, para trabalhar por Neto. O prefeito preserva o compromisso anunciado; parte da sua base segue outro caminho.

A conta é diminuir a vantagem governista nos municípios menores para compensá-la nas cidades maiores onde a oposição aposta em melhor desempenho. Segundo essa mesma fonte, Rui Costa tem atuado junto aos prefeitos para conter o movimento. O tamanho da base declarada, portanto, precisa ser confrontado com sua capacidade efetiva de mobilização.

O vídeo recente do deputado federal Jorge Solla⁠ deu voz petista a essa desconfiança. Ao afirmar que prefeitos fazem juras de apoio a Jerônimo, mas deixam secretários e vereadores trabalhando por Neto, o deputado expôs uma preocupação do próprio campo governista. Sua fala não permite medir a extensão do problema, mas reforça a necessidade de olhar além das fotografias de adesão. E olhe que na sabatina da TV Aratu eu questionei a Jerônimo sobre confiança de lealdade e traição dos prefeitos e depositar sua principal coluna interiorana nisso.

No Senado, o governismo enfrenta contradição semelhante. Há prefeitos dispostos a combinar votos em Rui Costa e Angelo Coronel, do Republicanos, sobretudo pelos compromissos construídos com o encaminhamento de emendas. Isso pressiona Jaques Wagner. Como relatei, seu campo pede que gestores comprometidos com Coronel liberem lideranças para Wagner. A lógica se repete: repartir a mobilização municipal para reduzir a possível vantagem do concorrente. A fidelidade à chapa encontra limites nas relações locais.

O cuidado é não confundir essas contas com domínio sobre o eleitor. Prefeito organiza campanha, abre portas e mobiliza, mas não transfere votos por decreto. Até a urna, os comandos terão de administrar essa incerteza junto com o desgaste das manchetes. A eleição entra no detalhe porque quem só contar com lógica, histórico e favoritismo declarado precisa ter a certeza do voto garantido. A conferir.