Projeto no Vale do Capão abre terreiro à comunidade para promover saberes afro-brasileiros e enfrentar preconceitos

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Quem visita o Vale do Capão, na Chapada Diamantina, encontra um território conhecido por suas paisagens naturais, mas também construído pelas histórias, culturas e saberes das pessoas que vivem ali. É a partir desse lugar que o Nzo Nkongo Kadyambuka Junsara abre suas portas para uma programação que convida moradores, visitantes e interessados na cultura afro-brasileira a conhecer outras histórias que também ajudam a contar esse território.

O projeto “NKONGO – O Caçador que Retorna” acontece de outubro de 2026 a março de 2027 e reúne oficinas, rodas de conversa, capoeira, culinária, música, tranças, saberes sobre folhas e ervas, Libras, sarau e uma Feijoada Cultural. As atividades são gratuitas e acontecem, em sua maioria, no próprio terreiro, localizado na Rua Riacho do Ouro, no Vale do Capão, município de Palmeiras.

Fundado pelo Taata dya Nkisi Taateto Talambirê e inaugurado em abril de 2016, o Nzo é o primeiro terreiro de Candomblé Angola da Chapada Diamantina.

“Queremos aproximar a comunidade do nosso espaço e criar oportunidades para que mais pessoas conheçam os saberes e as culturas afro-brasileiras e afro-indígenas. Abrir as portas do terreiro também é uma forma de ampliar esse diálogo e enfrentar muitos dos preconceitos que ainda existem em relação às religiões e tradições de matrizes africanas”, destaca Alessandra Chiaradi, responsável pela produção geral do projeto.

Jovens e integrantes do projeto assumem papel de transmissores de saberes

Um dos aspectos que atravessam a programação é a presença de membros da comunidade como condutores das atividades. “São conhecimentos que circulam entre gerações e encontram nas oficinas e rodas de conversa uma possibilidade de compartilhamento com novos públicos”, reforça Alessandra.

A abertura da programação acontece com a Oficina Ritmos de Candomblé, de 13 a 17 de outubro, conduzida por Ayrã Nery, jovem nativo do Vale do Capão e Nganga Nkanda Meianvulê do Nzo Nkongo Kadyambuka Junsara, com participação dos músicos Aline Silveira e Dadi Andrade.

Taateto Talambirê conduz a oficina de Culinária Ancestral, compartilhando modos de preparo e histórias relacionadas aos alimentos. Já Domires Matos, contra-mestre de Capoeira Angola, conduz uma oficina dedicada à prática, enquanto Cibele Dyalembanda, nativa do Vale do Capão, participa da construção dos diálogos sobre a história, resistência e os desafios da capoeira no território.

O evento contará também com uma roda sobre folhas sagradas e usos medicinais.

Programação

A programação começa com a Oficina Ritmos de Candomblé, realizada entre os dias 13 e 17 de outubro, às 16h, no Nzo Nkongo Kadyambuka Junsara. Gratuita e com 20 vagas, a atividade abre uma agenda que segue até março de 2027, com oficinas, rodas de conversa, capoeira, culinária ancestral, tranças, Libras, sarau e a Feijoada Cultural. A programação completa, com datas e informações sobre cada atividade, pode ser consultada no Instagram do terreiro, @nkongokadyambukajunsara . As atividades são gratuitas e, nos casos em que houver vagas limitadas, as inscrições também são realizadas pelo link disponível na bio do perfil.

Sobre o terreiro

Inaugurado em abril de 2016, o Nzo Nkongo Kadyambuka Junsara é o primeiro terreiro de Candomblé Angola da Chapada Diamantina. Fundado pelo Taata dya Nkisi Taateto Talambirê, está localizado no Vale do Capão e desenvolve há uma década atividades religiosas e culturais junto à comunidade.

Com o projeto “NKONGO – O Caçador que Retorna”, o terreiro reforça sua atuação como espaço de preservação, circulação e transmissão de conhecimentos e amplia o diálogo com quem vive e visita o território. A proposta é fazer da aproximação uma possibilidade de conhecimento: abrir as portas para que cultura, memória, ancestralidade e experiências contemporâneas possam ser compartilhadas sem retirar desses saberes sua história e seu lugar de origem.

O projeto é realizado pelo Coletivo Cultural Nkongo Kadyambuka e foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, com recursos do Governo Federal, repassados pelo Ministério da Cultura e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. A iniciativa conta com apoio da Avoar Arte e Cultura.