Por Victor Pinto
A eleição presidencial de 2026 terá consequências diretas para a política baiana. Embora a disputa pelo governo estadual tenha terminado no primeiro turno, com a reeleição de Jerônimo Rodrigues, o confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro passou a representar uma segunda etapa da disputa entre o PT e ACM Neto. O resultado de 25 de outubro poderá influenciar as relações institucionais e a reorganização das forças políticas na Bahia.
Os números ajudam a explicar a importância do estado. Repare: Lula recebeu 5,65 milhões de votos na Bahia, contra 2,44 milhões de Flávio Bolsonaro. Uma vantagem superior a 3,2 milhões de votos, que o PT pretende ampliar. Nacionalmente, porém, o cenário foi diferente. Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. A diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos tornou a Bahia ainda mais relevante para a campanha petista.
A tarefa de Lula não é simples. Precisa reverter uma desvantagem nacional, embora a distância apertada permita disputar o eleitorado que apoiou outros candidatos. Para Jerônimo, reeleito com 55,80% dos votos válidos, o segundo turno também envolve o ambiente político no qual exercerá seu próximo mandato.
O governador já trabalha com a possibilidade de enfrentar um presidente adversário, cenário que poderá dificultar a interlocução política sobre investimentos e projetos federais. Isso não significa, necessariamente, interrupção de obras ou recursos, mas exigirá outra dinâmica de negociação entre Brasília e Salvador. Até porque Jerônimo não é Rui, que passou por essa turbulência no passado.
Do outro lado, ACM Neto encontrou na campanha de Flávio uma oportunidade de reorganização política depois de sua segunda derrota consecutiva para Jerônimo. A vitória do candidato do PL permitiria ao ex-prefeito reivindicar, ao lado de João Roma, o papel de interlocutor privilegiado da Bahia junto ao governo federal.
Foi nesse contexto que a oposição promoveu, no sábado, dia 17, uma grande mobilização no Farol da Barra. Milhares de pessoas participaram do ato, que reuniu Flávio Bolsonaro, ACM Neto, Bruno Reis, João Roma e lideranças nacionais da direita. A manifestação mostrou capacidade de mobilização de um campo político que, apesar da derrota estadual, continua organizado e presente nas ruas.
Para Neto, entretanto, o resultado presidencial tem consequências particularmente importantes. Uma eventual reeleição de Lula manteria o PT no comando simultâneo da Bahia e do governo federal por mais quatro anos, reduzindo as oportunidades de protagonismo institucional da oposição baiana e a ocupação de cargos estratégicos.
Uma vitória de Flávio produziria outro cenário, com a oposição estadual buscando influência sobre a agenda federal. Ainda assim, caberia ao novo presidente governar também para os eleitores e gestores que não o apoiaram.
A Bahia chega ao segundo turno com interesses que ultrapassam as lógicas da contagem dos votos. Jerônimo procura preservar a parceria com Brasília e em paripassu Neto tenta reconstruir seu espaço político, uma boia de salvação eleitoral e jurídica, importante destacar. A decisão será nacional, mas seus efeitos estarão presentes no cotidiano da política baiana durante os próximos quatro anos. A conferir. Bom voto no próximo domingo!

