Por Victor Pinto
A vitória de Lula sobre Flávio Bolsonaro neste domingo encerrou uma eleição presidencial disputada, marcada pela polarização e por uma virada no segundo turno. Na Bahia, o resultado tem consequências arrebatadoras. A reeleição do presidente consolida um cenário extremamente favorável ao grupo petista, que já havia conquistado o governo estadual e as duas vagas do Senado. Para ACM Neto, a derrota presidencial da oposição representa mais um obstáculo numa trajetória política que atravessa seu momento mais difícil.
Jerônimo termina outubro como um dos principais beneficiários políticos desse processo. Reeleito governador no primeiro turno, enfrentou uma campanha competitiva contra ACM Neto e, encerrada sua disputa, assumiu a mobilização pela continuidade de Lula na Presidência. O resultado nacional preserva uma condição importante para seu próximo mandato: a interlocução direta com um governo federal politicamente alinhado.
É uma vantagem que precisa ser observada com responsabilidade, contando também com a sorte. A Bahia continuará enfrentando problemas na segurança pública, na saúde e na infraestrutura. Jerônimo não poderá atribuir eventuais dificuldades à falta de diálogo com Brasília. A continuidade dessa parceria amplia também a cobrança por resultados concretos.
Jaques Wagner e Rui Costa completam esse cenário. Eleitos senadores, os dois ex-governadores demonstraram que continuam ocupando posições centrais na política baiana. Mas essa concentração de poder também exigirá habilidade para administrar interesses internos e preservar os aliados. O PT baiano sai fortalecido das urnas, embora isso não elimine disputas futuras por protagonismo.
Do outro lado está ACM Neto. Derrotado novamente, o ex-prefeito de Salvador encontrou na candidatura de Flávio Bolsonaro uma possibilidade de recuperar espaço político. Uma vitória presidencial da direita permitiria a Neto, Bruno Reis e João Roma reivindicar o papel de interlocutores do governo federal na Bahia.
Essa alternativa desapareceu e virou pó com a reeleição de Lula.
Neto permanece como uma liderança importante da oposição, com influência partidária, aliados municipais e uma votação expressiva. Mas sua situação ficou mais complicada. Depois de duas derrotas consecutivas para o governo estadual, terá de atravessar outro período com o PT comandando simultaneamente o Palácio de Ondina e o Palácio do Planalto.
A questão agora é saber qual caminho ACM Neto pretende seguir. Permanecer como candidato natural ao governo em 2030? Buscar outro projeto eleitoral? Ou assumir uma atuação mais ampla na reorganização da oposição? Nenhuma dessas alternativas será simples. E a própria direita brasileira precisará reorganizar suas lideranças depois da derrota de Flávio Bolsonaro.
A eleição deste domingo também mostrou que o domínio petista na Bahia não significa ausência de oposição. Existe um eleitorado expressivo que deseja alternância e continuará cobrando respostas do governo estadual. O PT venceu, ampliou sua representação institucional e preservou sua relação com Brasília. ACM Neto, por sua vez, precisará demonstrar capacidade de reconstrução política. A eleição terminou, mas a disputa pelo futuro da Bahia continua. E Bruno Reis saiu totalmente chamuscado dessa eleição. A conferir.
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