Acampados por moradia em Barcelona completam mais de um mês na Plaça Catalunya

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Foto: Pub.Cat Group

Barcelona — Há mais de um mês, centenas de barracas ocupam a Plaça Catalunya, no centro de Barcelona, em um protesto pelo direito à moradia que já se tornou um dos maiores acampamentos do tipo na Espanha. O movimento começou em 29 de setembro e resiste a temporais, à falta de luz e à pressão das autoridades — e promete ficar pelo menos até as eleições gerais de 29 de novembro.

Segundo a organização, são mais de 600 barracas na praça. A prefeitura conta 360. O acampamento funciona como uma pequena cidade organizada: há comissões de alimentação, higiene, imprensa, infraestrutura e saúde, e a cozinha prepara entre 300 e 400 refeições por dia. Cerca de 15 a 20 pessoas em situação de rua são acolhidas diariamente no local, com colchões, sacos de dormir e comida.

O protesto nasceu no rastro do movimento 26S, depois do despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, de sua casa em Madri, quando o novo proprietário triplicou o valor do aluguel. O nome da idosa virou símbolo da luta por moradia em toda a Espanha. Na Plaça Catalunya, um pequeno memorial homenageia Maricarmen, Olga e Javier.

A prefeitura anunciou nesta semana que não vai renovar a permissão do acampamento. Mesmo assim, em reportagem da TV catalã divulgada na quarta-feira (4) pelo perfil oficial do movimento, os acampados disseram que não pretendem sair. “Se os políticos não se mexem, nós não nos mexemos”, disse o estudante Ot Batlle ao jornal Diari de Barcelona.

A porta-voz Kiara Monroy afirmou na terça-feira (3) que o protesto vai continuar pelo menos até as eleições gerais de 29 de novembro — e possivelmente além disso. Segundo ela, se os manifestantes forem retirados à força, vão voltar a ocupar “qualquer espaço público ou privado”.

O governo da Catalunha (Generalitat) também se pronunciou. A conselheira Sílvia Paneque disse na terça-feira (3) que, por enquanto, não prevê nenhuma intervenção no acampamento, salvo se surgirem novos elementos que a recomendem.

A relação com a prefeitura é tensa. No fim de outubro, a cidade cortou a energia de sete postes da praça depois que os bombeiros identificaram uma ligação irregular, com risco de incêndio — os acampados negam responsabilidade pela ligação. Em 23 de outubro, um grupo que tentou ocupar um prédio na rua Calàbria, 177, foi retirado pelos Mossos d’Esquadra, a polícia catalã, e 19 pessoas foram denunciadas por resistência e desobediência.

O movimento também se distanciou dos distúrbios conhecidos como Blocus, convocados por redes sociais nos fins de semana de 24 e 31 de outubro no centro de Barcelona. Segundo os acampados, o protesto é pacífico e eles chegaram a proteger pessoas encurraladas na região durante os confrontos.

Para esta sexta-feira (6), o movimento anunciou ações diárias a partir das 20h30, com um jantar popular na Ronda Sant Pere, junto à Plaça Catalunya. O cartaz da convocação diz, em catalão: “Se nos cortam a luz, cortaremos as ruas”. O próximo marco do calendário é a greve geral pela moradia, marcada para 11 de novembro. O Sindicato de Inquilinos, que chegou a participar do acampamento, já se retirou para se dedicar à preparação da greve.

O acampamento de Barcelona é o mais duradouro do movimento que se espalhou por várias cidades espanholas. Em Madri, o acampamento da Puerta del Sol chegou ao fim na madrugada de terça-feira (3), quando as autoridades retiraram os últimos manifestantes, dias depois de as comissões organizadoras anunciarem o encerramento das atividades. O de Palma, em Mallorca, continua ativo.

Com Barna.News, Diari de Barcelona, El País e Demócrata