Uma avalanche repentina na fronteira entre o Nepal e o Tibete ocorrida nesta quarta-feira (26) deixou 95 mortos e centenas de desaparecidos.
O Conselho de Turismo do Nepal informou que 384 viajantes que estão no país, sendo 341 estrangeiros, estão desaparecidos após a inundação. O Itamaraty ainda não havia informado, até a mais recente atualização desta reportagem, se havia brasileiros entre os desaparecidos.
Embora não seja muito populosa, a área atingida pela avalanche conecta diversas cidades e vilas e abriga usinas hidrelétricas, além de um posto fronteiriço entre o Nepal e a China — que controla o território do Tibete. O posto é uma das principais vias de portas de entrada e saída para quem viaja entre os dois países.
Terreno montanhoso, lagos glaciais e terremoto
A região tem um terreno acidentado e íngreme. As autoridades suspeitam que um terremoto de magnitude 4,4 aproximadamente sete minutos antes do horário indicado nas imagens possa ter provocado o deslizamento. Vale lembrar que, no ano passado, uma inundação semelhante no mesmo rio foi atribuída ao esvaziamento de um lago glacial.
Encaixado entre a Índia e a China, o Nepal, abriga oito dos 14 picos mais altos do mundo. A região faz parte dos Himalaias, que é uma das maiores cadeias de montanhas do mundo. Os Himalaias concentram a maioria dos picos mais altos da Terra, incluindo o Everest.
Especialistas especulam que a tragédia pode ter relação direta com uma inundação por rompimento de lago glacial (Glacial Lake Outburst Flood – GLOF). O Nepal está entre os países mais vulneráveis a esse tipo de desastre porque os Himalaias estão derretendo rápido, formando e expandindo lagos glaciares.
Muitos desses lagos ficam no Tibete e descarregam nos rios que descem para o Nepal. Inundações e deslizamentos são frequentes durante a monção de verão, período de chuvas intensas que se estende de junho a setembro no Nepal e em toda a Ásia do Sul.
O próprio corredor do Rio Bhote Koshi já sofreu um inundação por rompimento de lago glacial confirmado em julho de 2025, que deixou 17 pessoas desaparecidas. Por isso há a suspeita, ainda não confirmada, de que a mega avalanche possa ter sido alimentada pelo rompimento de lagos glaciares depois de um terremoto na área minutos antes do desastre.
Fonte: g1

