CONAN PANGARÉ, O TORTO

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Por Marcelo Albert

Por incrível que pareça, ainda me lembro bem do impacto da aparição do Arnold Schwarzenegger nas telonas.

Foi no início dos saudosos – para mim – anos 80. Quem não tinha interesse sobre o mundo do fisiculturismo não fazia a menor ideia de quem era o cara, bom lembrar que não existia o Papai Google na época.

Entra em cartaz o filme Conan, o Bárbaro. Na minha opinião, um filmaço. A cena que detalha as pernas de um antes magrelo empurrando uma espécie de moinho, que vai evoluindo para o corte no tempo e mostrando o mesmo personagem de baixo pra cima, um agora sujeito extremamente forte é inesquecível, você sendo homossexual ou não. Um show de cinema. ‘Caralho, o cara é forte pra cacete!’, ‘Quem é esse filho da puta?’ era o normal nas minhas rodas de conversa.

Não posso mensurar o impacto no mundo feminino, uma vez que o meu lado Pepeu Gomes não está ligado nesse momento, mas acredito que deve ter sido pesado também.

Bom, depois o sujeito virou exterminador do futuro na ficção e político do partido republicano americano na vida real (praticamente a mesma coisa), melhor, então, parar por aqui.

Minha filhota labrador Lina precisou fazer um ecocardiograma. Ela pesa entre 35 e 38 quilos conforme a época e dieta. É, portanto, uma enormidade de gostosura.

O exame estava marcado para às 11:30 de uma quinta-feira. Chegamos os 2 (a mãe estava impossibilitada de ir) por volta de 11:15 na clínica. Linoca, atingida pelo ‘Efeito Morfeu’ do ar condicionado, se esparrama perto do sofá da recepção e começa a sonhar. Eu, tendo a infelicidade de participar de uma conversa etérea com uma mãe de cachorro (sempre achamos que os outros é que são os doidos).

Ela descrevia uma história contada pelo pastor da sua igreja que dava conta de que um tigre levava um veado para um caçador em agradecimento, uma vez que esse o havia salvo de uma armadilha na floresta. O pastor, por isso, afirmava que os animais possuíam alma.

Ao ver minha expressão incrédula, ela me pergunta:

‘O senhor não acha, então, que os animais possam ter alma?’

Respondi: ‘Podem até ter, eu só não acredito em nada que qualquer pastor fale’.

Pois é, o tempo passava, mas não passava. Clima meio ruim no ambiente. Fico matutando: ‘Será que chato atrai chato?’.

Exatamente 1 hora depois somos agraciados pela convocação do cardiologista canino. Portanto, 12:15, normalmente hora de almoço. Clínica com menos funcionários.

O doutor é super simpático e um tanto franzino. A mesa de exame, mais alta que o normal. Ele sai da sala, volta e me diz:

‘Estou procurando alguém para nos ajudar a colocar a Lina na mesa’.

Meu lado Conan Pangaré surge com força. Sou forte em todos os sentidos, ora. Eu deveria mesmo era torcer pelo Fortaleza, mas insisto no Vasco.

‘Não precisa, doutor, eu a pego com jeito e a coloco’, ‘Ok’. Feito.

Terminado o exame, com toda a habilidade que me é peculiar, coloco Lina no chão de volta. TUDO BEM COM TODO MUNDO.

No final da tarde do mesmo dia, desço com a minha nega maravilhosa para passear. No último pit stop, ela sobe no mesmo banco da mesma praça de sempre para descansar do passeio.

Dá o horário da sua comida, a ajudo a descer do banco, como sempre faço e voltamos para casa. Ela rebolando sua formosura; eu, com DJ Pockye nos fones. TUDO BEM COM TODO MUNDO.

Amanheço no dia seguinte com uma leve dor na região lombar no lado esquerdo. Não dou muita bola, sigo confiante para a minha caminhada/trotada da manhã.

A dor dá uma apertada na parte da tarde. Por conta do que está escrito anteriormente em caixa alta, não ligo os fatos. Simplesmente esqueço.

De noite, ela fica quase insuportável. Não vou revelar que quase chorei em alguns deslocamentos sala/banheiro/quarto porque pegaria mal. Doía pacas. Brutos lacrimejam, mas não revelam.

Milena me pergunta se quero ir para a emergência. Digo que prefiro esperar o efeito do remédio relaxante muscular que tomei. Consigo dormir.

No sábado, ainda com dor (um pouco menos), resolvo ir na emergência. Uma manhã inteira no hospital, passando por todas as fases da burocracia do atendimento. Por fim, o raio x da coluna diz que não é nada de grave, mas revela uma leve inflamação no lado esquerdo que requer um certo cuidado.

Prêmio total pela demonstração da minha impressionante força: um fim de semana inteiro completamente torto, mais 5 dias à base de anti-inflamatório e analgésico e nada de álcool.

Arnold, se você passar na minha frente, te quebro todo!

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Advogado e escritor