Por Jolivaldo Freitas
Mais um resultado decepcionante, preocupante, outra derrota de virada (3 x 2 Coritiba). O mesmo desenho: o Bahia fez o gol, dominou o primeiro tempo, voltou da trocando passes com lentidão e pose, no segundo tempo, vacilou atrás (goleiro e zaga) e levou dois gols bobos, de virada em três minutos. Foi pra cima, abriu-se atrás e levou o terceiro, de contragolpe. Um Coritiba mais agressivo, com fome de bola, e um Bahia no totó, sem conseguir finalizar, sem poder de fogo na frente. Um filme já visto, repetido, que ninguém aguenta mais ver.
Com o resultado, o Bahia terminou a 17ª rodada em 8º lugar, com 23 pontos. O Coritiba, de volta da segundona e há jogos sem vencer em casa, subiu na classificação, ultrapassou o Tricolor (foi a 26pontos). Com mais esse resultado ruim, oito jogos sem vencer, a crise está instalada no Bahia City, a torcida se manifestando, indócil, pedindo a cabeça do treinador Ceni e queimando filme de alguns atletas. O time caiu muito de produção, no aspecto coletivo, tático e também físico. Tem algo de muito errado no reino tricolor. De cima a baixo.
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No Couto Pereira
– Curitiba/PR em noite fria (15graus), tempo instável, bom relvado, arquibancadas com público razoável, alguns vazios.
Jogo fechando a 17ª rodada, o ‘Coxa Branca’, mandante, com os mesmos pontos ganhos do Bahia, 23, ambos brigando por espaço na parte de cima da tabela (Bahia em 7º, Coritiba em 8º, por critérios de triunfos). Confronto direto, pois.
O time paranaense vindo de um bom triunfo (3 x 0) sobre o Santos; o Bahia há 7 jogos sem vencer, buscando recuperação.
– Os donos da casa de camisas listradas em verde & branco; o Bahia com seu uniforme padrão, camisas brancas com a faixa em diagonal frontal, vermelha & azul. Fogueótio e fumacê na abertura.
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Com bola rolando …
– Começo ofensivo, dois estilos de jogo: o Bahia com sua costumeira troca de passes, bola no chão, o Coritiba esticando os passes, explorando a velocidade de Bruno Lopez e Lavega, avançados. Equilíbrio.
– Aos 17’, primeira boa chegada do Tricolor, com um cruzamento rasteiro de Iago, pela esquerda, Sanábria, do outro lado, tentou finalizar, bola por cima. Aos 21’, Borduchi acertou a trave, num chute de canhota da entrada da área. O Tricolor era melhor, chegava mais, trabalhando melhor a bola.
– Gol! 1 x 0 Bahia. Pulga, caindo pela direita, recebeu em profundidade o passe de Everton e bateu cruzado, por baixo, a bola desviou na zaga e matou o goleiro. Aos 27’.
Aos 32’, no chutão, Breno Lopes disparou da direita, levou a marcação e bateu em cima do goleiro Leo Vieira; na primeira boa chance do Coxa. Aos 42’, bom contragolpe, Éverton chutou da meia lua, pra fora, chance desperdiçada. O resto do primeiro tempo foi de bola murcha, empurra-empurra e a contusão do goleiro Leo Vieira (saiu mal numa bola alçada e na queda se machucou, saiu de maca), substituído por João Pedro.
O placar (1 x 0) refletiu, de certo modo, a superioridade técnica do tricolor, com mais volume e controle de jogo, sem sofrer atrás. Depois do gol marcado, entretanto, diminuiu o ritmo, baixou um pouco as linhas de marcação, frouxas. Jean Lucas, Everton Ribeiro e William José rendendo abaixo do que podem. Os coritibanos, depois do gol levado, se assanharam um pouco, mais na briga do que na bola. Partida indefinida.
Segundo ato – Com placar adverso, caberia ao time da casa atacar, fazer pressão. Os baianos demoraram nos vestiários. Em princípio, nenhuma mudança – a não ser o goleiro João Paulo. Outro papo.
– O Bahia valorizava a posse de bola, atuava mais no campo inimigo, mas…. Aos 7’, numa boa trama, William José foi finalizar, de dentro da grande área, de frente, e furou, errou feio. Na volta…
– Gol! 1 x 1, Coritiba, Bruno Mello, escorando na frente da pequena área, livre, uma bola alçada por Josué, de muito longe. Cochilo defensivo, goleiro mal colocado. Aos 12min.
– Aos 14’, entrou Ademir, saiu Sanábria. Daí… deu branco na defensiva baiana.
– Gol! 2 x 1 Coritiba, aos 21min. Lavega, completando na área uma bola cruzada da esquerda. No começo da jogada, um erro absurdo do goleiro; a bola alçada, ele não segurou, tirou mal. Na sobra…
– Gol! 3 x 1, Breno Lopez, aos 23min. O Bahia todo avançado, num escanteio, o Coritiba recuperou. Dispararam três paranaense contra dois defensores, o chute de cara, indefensável.
Toda bola chutada entra. Inacreditável. O Bahia com a bola, trançando… e o Coritiba brocando.
Então, Ceni lançou Everaldo, Michel Araujo e Kiko; saíram W. José, Pulga e Jean Lucas.
O Tricolor em cima, apertando e o Coxa todo atrás, defendendo, marcando, na espera do bote. Aos 37’, uma bomba de Kike, por cima. Aos 41’, Pedro Rocha arrisvou de longe, João Paulo espalmou por cima.
– Gol! 3 x 2, Bahia. Everaldo, de cabeça, após cruzamento de Everton, cobrando falta da esquerda. Aos 44min, diminuiu.
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Destaques
– Negativos para os dois goleiros, inseguros, fracos; comprometem. Borduchi só corre 30 minutos e morre. Atuação apagada de Jean Lucas, Acevedo (perdido e só na marcação), W. José, Ademir, M Araújo… Rogério Ceni parece desolado, entregue… sem mais tesão nem imaginação. Perdeu as rédeas?
– No Coritiba, a vontade, a fibra mostrada no segundo tempo. Bruno Lopez, veloz, objetivo, deu trabalho. Josué no meio-campo…
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Ficha técnica
– O Coritiba do treinador Fernando Seabra: Pedro Rangel, Chermont, Jacy, Coser e Bruno Mello; Josué, Thiago Santos, Sebastián; Lavega, Bruno Lopez e Pedro Rocha.
Entraram Fabinho, William Oliveira, Taverna, Wallisson, Vini Paulista)
– O Bahia escalado por Rogério Ceni: Leo Vieira, Roman Gomez, David Duarte, Kanu e Iago Borduchi; Acevedo, Jean Lucas e Everton Ribeiro; Sanábria, William José e Pulga.
– No apito, o gaúcho Daronco, malandrão.
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Com um jogo a menos (contra a Chapecoense, na Fonte), ainda sem data prevista para acontecer, o Bahia fecha sua participação na competição, antes da parada para a Copa do Mundo (de junho a 19 de julho), jogando na Fonte Nova, contra o Botafogo, no fim de semana (sábado, dia 30, às 17h30).
Foto: EC Bahia – Catarina Brandão


