O deputado federal Bacelar (PV-BA) criticou ACM Neto e Bruno Reis e afirmou que a população de Salvador paga, todos os dias, o preço de uma gestão municipal que investe mais em aparência do que em cuidado com as pessoas.
Segundo Bacelar, a capital baiana foi convertida em uma cidade de peças publicitárias, enquanto bairros inteiros seguem convivendo com transporte ruim, serviços municipais frágeis, ausência de manutenção, insegurança urbana e desigualdades que atravessam a rotina da maioria da população.
“Salvador virou uma cidade partida entre o comercial da prefeitura e a vida de quem acorda cedo para trabalhar. Na propaganda, tudo funciona. No ponto de ônibus, na fila do posto, na escola do bairro e na rua escura, a população sabe que a história é outra”, afirmou.
O deputado disse que ACM Neto tenta falar da cidade como se não fosse o principal responsável pelo modelo político-administrativo que governa Salvador há anos.
“Neto governou oito anos, escolheu Bruno, manteve o mesmo grupo no comando e agora quer aparecer como crítico dos problemas que ajudou a produzir. Isso é conveniente para ele, mas não apaga a responsabilidade. Salvador não chegou a esse nível de desigualdade por acaso”, declarou Bacelar.
Para o parlamentar, a humilhação imposta à população não está em um fato isolado, mas na soma de pequenas violências cotidianas provocadas por serviços públicos que falham justamente onde o poder público deveria estar mais presente.
“Humilhação é quando a prefeitura acostuma o povo a esperar demais, andar demais, sofrer demais e receber de menos. É quando o morador percebe que o bairro dele só aparece na propaganda em época de eleição. É quando a cidade tem dinheiro para vender imagem, mas não entrega dignidade na ponta”, disse.
Bacelar afirmou que os indicadores sociais de Salvador desmontam a narrativa de eficiência sustentada por ACM Neto e Bruno Reis. Segundo ele, a capital reúne força econômica, relevância cultural e capacidade de investimento, mas continua marcada por pobreza, desemprego, baixa renda e profundas desigualdades territoriais.
“Uma cidade com a importância de Salvador não pode aceitar ser administrada como vitrine. Prefeitura existe para reduzir desigualdade, organizar serviços, cuidar dos bairros e melhorar a vida de quem mais precisa. Quando isso não acontece, a propaganda vira maquiagem de uma realidade dura”, afirmou.
O deputado também criticou a tentativa de ACM Neto de deslocar o debate para ataques políticos, sem responder pelo legado de seu grupo na capital.
“Ele quer transformar cobrança em barulho eleitoral porque sabe que o balanço da prefeitura pesa contra ele. Quem mandou na cidade, fez o sucessor e continua controlando o projeto político precisa explicar por que tanta gente ainda vive sem o básico bem feito”, declarou.
Bacelar disse que Bruno Reis dá continuidade ao mesmo padrão de gestão, com obras escolhidas para gerar imagem pública, mas pouca capacidade de enfrentar os problemas que mais atingem a população trabalhadora.
“Bruno administra olhando para a câmera, não para a fila. A prioridade parece ser a foto pronta, não o serviço funcionando. Salvador precisa de menos encenação e mais governo nos bairros”, afirmou.
Para o deputado, a população conhece essa contradição porque sente seus efeitos no cotidiano.
“O soteropolitano não precisa de pesquisa para saber onde a prefeitura falha. Ele descobre isso quando perde tempo no transporte, quando procura atendimento, quando vê a rua sem iluminação, quando percebe que seu bairro não recebe o mesmo cuidado de outras áreas da cidade. Essa é a humilhação diária”, disse.
Bacelar concluiu afirmando que ACM Neto e Bruno Reis devem explicações à população de Salvador.
“Quem governa uma cidade por tanto tempo não pode tratar sofrimento social como detalhe. Neto e Bruno precisam parar de vender Salvador como peça de marketing e encarar a cidade que existe fora da propaganda. O povo quer respeito, serviço público funcionando e uma prefeitura que olhe para todos, não apenas para a vitrine”, concluiu.

