Por Victor Pinto
Ela veio aí e mostrou para nós o seguinte, conforme destaquei em um comentário recente nos microfones da BandNews FM: a eleição na Bahia está completamente aberta, e quem achar que o jogo está ganho corre o risco de tropeçar na própria soberba. A divulgação da primeira rodada da AtlasIntel, pelo jornal A Tarde, caiu como uma ducha de água fria em ambas as campanhas e trouxe à tona um fantasma bem conhecido de 2022.
Há quem prefira adotar o papel de negacionista da fotografia de momento. São aqueles que, incomodados com os números, correm para tirar o crédito das pesquisas ou repetir o velho clichê de que “pesquisa na Bahia não chega nos rincões”, mas na Bahia de 26, esse negacionismo esbarra em um detalhe: a AtlasIntel foi o único instituto que ousou cravar a vitória de Jerônimo Rodrigues quando o favoritismo de ACM Neto parecia inabalável na eleição passada. Ignorar essa assinatura é, no mínimo, ingenuidade política ou pura e simplesmente torcida.
A grande verdade exposta pelos números é que a lógica do “já ganhou” ruiu para os dois lados, faltando 30 dias para o primeiro turno. Jerônimo Rodrigues, apesar do controle total da máquina estadual e das constantes caravanas ao lado de Lula, aparece em empate técnico absoluto com ACM Neto, que está numericamente à frente. O atual governador viu cair para a casa dos 48% a sua aprovação e se vê diante de uma dura realidade de depender, mais uma vez, visceralmente, da popularidade de Lula para respirar. Como pontuei na rádio, hoje, o presidente é a única e exclusiva tábua de salvação de Jerônimo.
E o maior nó da corda atende pelo nome do voto “LuNeto”. O voto descasado e o arrebatamento da juventude são pontos favoráveis, atualmente, para o núcleo netista. Nos grandes centros urbanos, o eleitor pragmático quer Lula no Planalto, mas prefere a oposição no comando do Estado. A transferência automática de votos não engrenou ou ainda não engrenou. Se a militância governista não for para a rua de forma agressiva para implodir esse voto descasado de Neto com Lula, o projeto de continuidade do PT estará seriamente ameaçado. Outro ponto foi a queda de Lula na preferência presidencial dos baianos, um senhor sinal de alerta.
Em 2022, a histórica “boca de jacaré” (o momento em que Jerônimo ultrapassou Neto) só abriu na segunda metade de setembro. Agora, com a oposição mais aglutinada e menos dispersa do que há quatro anos, a margem de erro para vacilos é nula. A eleição estadual não é receita de bolo, apesar de muitas vezes seguir lógicas já conhecidas.
Diante de uma fotografia tão acirrada, o recado da pesquisa nos mostra que o eleitor baiano vai precisar ser muito cortejado por quem quer governar a Bahia. Os “queremistas” vão ter que suar a camisa até o último segundo. E, lembrando, fotografia de momento. Nesse jogo, só quem está confortável é Rui Costa com o seu voto primeiro voto do Senado consolidado. Wagner, Roma e Coronel que briguem pelo segundo voto. A conferir.
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