FOI-SE O ÍDOLO HENRICÃO CAMPEÃO BRASILEIRO DE 59

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Por Zédejesusbarreto
Era o derradeiro remanescente dos ‘heróis’ tricolores que conquistaram o título de Campeão Brasileiro de Futebol – então a 1ª Taça Brasil – em 1959/60 : Bahia, Primeiro e único (por ser primeiro) Campeão.

  Henrique, carioca nascido na zona norte do Rio, em 30 de agosto de 1933, batizado Henrique dos Santos, chamado carinhosamente pela torcida de Henricão, pelo seu tamanho (quase dois metros de altura), apelidado de ‘Gigante de Ébano’ pelo radialista baiano Carlos Lima, segundo nos conta o jornalista Antônio Matos no seu indispensável livro “Heróis de 59 – A história do primeiro título brasileiro conquistado pelo Esporte Clube Bahia”.

  Henricão morreu no Rio, ao lado de um dos filhos (Carlos Henrique), aos 90 anos, nesse 19 de julho 2023. Deixa mais três outros filhos: Henrique Luiz, Humberto Luiz, baianos, e Maria Helena, que mora em São Paulo. Sofria de alzheimer e teve parte de uma perna amputada por conta de um acidente de trabalho, numa fábrica, depois de ter abandonado a carreira de boleiro no Bahia, em 1967.

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  Foram 10 anos dedicados ao Bahia, onde chegou em 1957, vindo da Portuguesa/RJ, trazido por Osório Villas Boas para formar o Esquadrão que excursionou pela Europa, foi Campeão Brasileiro, duas vezes vice-campeão brasileiro (61 e 63), disputou Libertadores, foi Pentacampeão Baiano (de 58 a 62), como titular absoluto, e chegou a vestir a camisa amarela da Seleção Brasileira em 1957, na disputa da Taça O’Higgins. Em 1962 era o camisa 3 titular do time tricolor que bateu recorde de 52 jogos invictos, sob comando de Pinguela (jogador e treinador). Foram 405 jogos de Henrique com a camisa do Bahia, formando zaga ao lado de Bacamarte, do grande Juvenal Amarijo, de Vicente Arenari e do então jovem Roberto Rebouças, entre outros.

   Ídolo, a torcida o amava. Era muito próximo do ponteiro Biriba, amigo e compadre, gostava de carnaval, folião, também do samba, carioca que era, tocava triângulo, e costumava dizer que ‘a vida é um romance’. Com aquele tamanhão todo, era afetivo e brincalhão, um cara diferenciado, do bem – é assim que dizem aqueles que o conheceram de perto.

 Em campo, um zagueirão que fez história. Não usava do físico privilegiado para escorraçar os atacantes, jogava limpo e na bola, imbatível pelo alto, tinha bom senso de cobertura, jogava sem enfeites mas com inteligência, perfeito na antecipação e botes e, de quebra, gostava de brindar o torcedor com arrancadas fantásticas conduzindo a bola da defesa pro ataque, desbravando as linhas adversárias para delírio das arquibancadas (bem antes do Luiz ‘Chevrolet’ Pereira, que era baiano, zagueiro do Palmeiras que celebrizou-se com essa jogada). Pelé, que muitas vezes, no auge, o enfrentou, elogiava Henricão pela lealdade e eficiência, sobretudo pelo alto.

  Lembro-me uma vez apenas de ter sido expulso, jogo pelo campeonato baiano, num entardecer de domingo, não sei se contra o Galícia ou Ypiranga onde jogava o abusado e marrento Mascote que, numa dividida, foi maldosamente no joelho do becão, que dessa vez perdeu a calma e, mesmo manquitolando por conta da entrada escrota do atacante, saiu correndo pelo campo para pegar o agressor – que se picou, mais rápido, escondendo-se no vestiário, a galera vibrando.

 Outros tempos!  Quem viu, viu.  Eu vi aquele Bahia Campeão, eu vi em campo o grande Henricão.  Muito obrigado por tudo, Negão!  Siga em paz!

PS: – O Bahia lhe deve uma homenagem, certamente no jogo de sábado próximo, na Fonte Nova, pelo Brasileirão.      

Foto: EC Bahia