Mais do que um disco, Matita é um retrato sonoro de um tempo, de uma Salvador pulsante e profundamente musical. Gravado em 2001, no acolhedor estúdio Som das Águas, o primeiro registro do grupo baiano Matita Perê finalmente encontrou, 25 anos depois, o caminho das plataformas de streaming, chegando ao público no último dia 30 de abril como quem retorna para casa depois de longa viagem.
Sob os cuidados técnicos de Bráulio Villares e Ramos de Jesus, o álbum nasceu originalmente como um CD demo, mas carregava em suas canções algo maior: a essência artística de um grupo que transformava poesia, regionalidade e sofisticação musical em identidade própria. Era música feita com afeto, paciência e verdade — dessas que atravessam o tempo sem perder o frescor.
Produzido de maneira artesanal, copiado manualmente em mídias de CD e distribuído gratuitamente entre amigos, admiradores e apaixonados pela música brasileira, Matita cresceu silenciosamente, conquistando ouvintes pela delicadeza de suas melodias e pela força autoral de suas composições. Das oito faixas do disco, sete são autorais, refletindo a alma criativa do grupo e sua conexão com a riqueza cultural da Bahia.
Agora lançado oficialmente, o álbum ressurge como um documento afetivo da música independente baiana, reafirmando o talento do Matita Perê e a permanência de sua obra. Ao longo dos anos, o trabalho também despertou admiração de grandes nomes da música brasileira, como Wagner Tiso, Danilo Caymmi e Roberto Menescal, reconhecendo no grupo a sensibilidade rara de quem transforma memória, paisagem e emoção em canção.
Foto: Luan Ribeiro – Divulgação


