Por Victor Pinto
A mais recente pesquisa Quaest, divulgada em agosto, trouxe um rascunho e tanto do cenário político baiano a dois anos das eleições de 2026. Os números confirmam uma disputa polarizada e com fortes componentes nacionais, em que a imagem do presidente Lula, a aprovação do governador Jerônimo Rodrigues e a resiliência de ACM Neto ditarão os rumos da sucessão estadual.
O dado mais expressivo vem da popularidade de Lula na Bahia, conforme eu, professor Cláudio André, Fernando Duarte e Luís Filipe analisamos na última edição do Boa Tarde Bahia na Band na sexta passada: a aprovação do presidente saltou de 47% para 60%, um crescimento de 13 pontos em poucos meses. Esse avanço é estratégico porque conecta diretamente o desempenho do presidente à base política de Jerônimo. Em 2022, foi justamente essa sinergia que permitiu ao governador, então um nome pouco conhecido, vencer ACM Neto. A oposição apostava em um enfraquecimento do lulismo como trunfo para derrubar o PT no estado, mas os números indicam o contrário.
No plano estadual, Jerônimo aparece com 59% de aprovação dado que não permite acomodação. A Quaest mostra uma parcela expressiva do eleitorado avaliando os serviços públicos como apenas “regulares” como edução e saúde e a segurança como seu principal gargalo. Esses setores são justamente os que a oposição tende a explorar como fragilidade.
Do outro lado, ACM Neto mantém força. O ex-prefeito de Salvador aparece com cerca de 41% das intenções de voto e continua sendo o principal nome da oposição. Seu discurso se apoia na ideia de independência, pois 49% dos baianos querem um governador sem alinhamento com Lula ou Bolsonaro. Somente 9% falam em votar no bolsonarismo. Esse dado fragiliza o campo no estado, mas abre espaço para que Neto se apresente como liderança moderada ou apelar para o tanto faz mais uma vez de maneira prática e mais eficaz, como fez Raquel Lyra em Pernambuco em 2022.
A polarização, no entanto, é inevitável. O recado da Quaest é simples: Neto larga na frente, mas não tem vitória assegurada. Está empatado tecnicamente. Se quiser reverter o favoritismo do PT, terá de reforçar sua presença no interior e apresentar um projeto consistente além da capital, seu reduto.
A Bahia, quarto maior colégio eleitoral do país, seguirá sendo peça central no xadrez nacional. Se em 2022 o lulismo foi determinante para manter o PT no comando do estado, em 2026 veremos se a oposição será capaz de construir uma alternativa competitiva ou se a combinação Lula–Jerônimo continuará sendo decisiva. A conferir.
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Jornalista / twitter: @victordojornal