Moradores denunciam impactos de obras do “Largo da Vitória Square”

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Por Jolivaldo Freitas

Moradores dos bairros da Graça e da Ladeira da Barra, em Salvador, têm se mobilizado para chamar a atenção do Ministério Público da Bahia, da Prefeitura de Salvador e da própria Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur) diante dos transtornos provocados, há vários meses, pelas obras do complexo imobiliário Largo da Vitória Square na região.

Segundo relatos de moradores, os problemas começaram logo no início da intervenção, quando caminhões-caçamba passaram a circular diariamente ainda de madrugada para retirada de grandes volumes de terra. O movimento intenso teria início por volta das quatro horas da manhã e, antes das sete, já se transformava em barulho constante, inviabilizando o descanso da população do entorno.

Além do ruído, a poeira tem sido apontada como um dos maiores incômodos. Moradores afirmam que, mesmo com a grande movimentação de terra, não foram adotadas medidas eficazes de contenção por parte das empresas responsáveis pelo empreendimento — um consórcio formado por Nova Novapex, Costa Andrade e o Cunha Guedes. O pó, segundo eles, invade residências, suja apartamentos e deixa veículos constantemente cobertos de sujeira.

Outro ponto de tensão é o descumprimento de horários. De acordo com a comunidade, o uso de tratores, marteletes e bate-estacas começa cedo e frequentemente se estende pela noite, além de avançar por sábados até tarde. Para os moradores, trata-se de uma rotina desgastante que demonstra falta de diálogo e sensibilidade com quem vive na área.

A preocupação maior, contudo, envolve possíveis danos estruturais em imóveis próximos. Moradores relatam que o uso contínuo do bate-estaca — equipamento que finca perfis metálicos no solo para sustentação das futuras torres — já estaria provocando rachaduras em casas e apartamentos.

Um residente da Ladeira da Barra afirma que portas internas de seu imóvel ficaram desalinhadas e atribui o problema às vibrações provocadas pelas pancadas repetidas do equipamento. Situações semelhantes, segundo ele, vêm sendo comentadas entre vizinhos. Os moradores ressaltam que as obras devem durar ainda por um longo período. Estimativas indicam prazo superior a um ano, podendo chegar a três. O temor é de que o desgaste cotidiano se prolongue, agravando o estresse da comunidade.

Outro aspecto que preocupa é o impacto viário. O complexo prevê centenas de apartamentos e um minishopping, o que poderá alterar significativamente o fluxo de veículos em uma área já conhecida por gargalos de trânsito. Para os residentes, faltam informações claras sobre estudos de mobilidade e infraestrutura.

Diante do cenário, moradores defendem a presença mais efetiva dos órgãos de fiscalização, com medições de ruído, análise de vibração e avaliação das condições estruturais dos imóveis vizinhos. Eles também pedem a criação de canais formais de diálogo entre construtoras e comunidade. Para a população local, o empreendimento representa mais que uma obra: é um teste sobre como Salvador conciliará expansão imobiliária e qualidade de vida urbana.
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Escritor e jornalista. Membro da Academia de Cultura da Bahia (ACB), conselheiro da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), colaborador do A Tarde online, do portal BNews e diretor de redação do portal Notícia Capital