Morro do Cristo, em Salvador, relembra mortos pela Covid

No momento você está vendo Morro do Cristo, em Salvador, relembra mortos pela Covid

Uma faixa com a inscrição “700 mil mortos” chamou a atenção, neste domingo (18). Ela foi estendida na manhã de sábado (17) no Morro do Cristo, na Barra, em Salvador, em referência às vítimas da Covid-19 no Brasil. O protesto ocorreu para contrapor a manifestação pro senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), que escolheu o local como ponto de concentração para um ato de campanha na capital baiana.

A mensagem remete às 716.626 mortes registradas oficialmente no país durante a pandemia, segundo dados do Ministério da Saúde citados pela imprensa. O protesto trouxe novamente ao debate público a condução da crise sanitária durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do atual candidato, e as consequências da emergência de saúde que marcou o país.

A faixa foi colocada em um dos principais cartões-postais de Salvador, transformando o local de concentração dos apoiadores de Flávio em espaço de manifestação política. O ato do candidato reuniu lideranças nacionais e baianas, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), e o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil). Após a concentração no Morro do Cristo, os participantes seguiram em caminhada até o Farol da Barra, onde ocorreu o comício.

Homenagem contestada na Justiça

A mobilização também ocorreu em meio à polêmica envolvendo a concessão do título de cidadão soteropolitano a Flávio Bolsonaro pela Câmara Municipal de Salvador. A homenagem foi alvo de críticas de setores da sociedade civil, que questionaram a pertinência da honraria durante o período eleitoral.

Um abaixo-assinado contrário à entrega do título ultrapassou a marca de 213 mil assinaturas, segundo informações divulgadas durante a mobilização. Os organizadores contestaram o reconhecimento ao senador e defenderam que homenagens oficiais devem estar associadas a contribuições efetivas para a cidade.

Na sexta-feira (16), a juíza Carla Graziela Costantino de Araújo, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, havia suspendido a cerimônia, considerando o risco de utilização eleitoral de um ato institucional. No sábado, entretanto, uma decisão da desembargadora Marielza Maués Pinheiro Lima, do plantão judiciário de segundo grau, suspendeu a liminar e permitiu a realização da solenidade.

Com a reversão da decisão judicial, Flávio recebeu o título durante o ato no Farol da Barra, entregue pelo vereador Cézar Leite (PL).

Disputa política na Bahia

A passagem de Flávio Bolsonaro por Salvador integra a estratégia de ampliar sua presença no Nordeste, região em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém forte apoio eleitoral. Na Bahia, Lula obteve 66,17% dos votos válidos no primeiro turno, contra 28,53% do candidato do PL.

A manifestação em Salvador reuniu, assim, dois cenários distintos: de um lado, apoiadores mobilizados em torno da candidatura de Flávio; de outro, uma ação de protesto que recuperou a memória das vítimas da pandemia e a controvérsia sobre a homenagem concedida pelo Legislativo municipal.

A faixa “700 mil mortos” tornou-se um contraponto simbólico à mobilização eleitoral, trazendo para o centro do debate a responsabilidade política pela condução da pandemia e a disputa pela memória de um dos períodos mais dolorosos da história recente do Brasil. Ela ilustra a manifestação de hoje a favor do candidato Lula.

Imagem: Mídias sociais