Goethe-Institut Salvador-Bahia adota novas formas de fazer arte e de pensar o ensino durante a pandemia

         



Com a pandemia da Covid-19, a cultura e educação foram fortemente afetadas pelas restrições de circulação impostas para frear a disseminação do novo Coronavirus. Nesse contexto, o Goethe-Institut Salvador-Bahia, enquanto um instituto cultural da República Federal da Alemanha que promove o conhecimento da língua alemã no exterior e o intercâmbio cultural, foi duplamente impactado por estar ligado diretamente a dois setores que foram bastante prejudicados.

Com o decreto municipal que suspendeu atividades, o Goethe-Institut Salvador-Bahia foi uma das instituições que, inicialmente, teve que suspender suas atividades voltadas para o público. As aulas presenciais foram logo adaptadas para aulas remotas, o acesso à biblioteca precisou ser modificado e logo o instituto adotou novas medidas para que as atividades continuassem existindo.

Em meio às incertezas causadas pela pandemia, o Goethe-Institut Salvador-Bahia buscou alternativas para dar continuidade aos projetos, abrindo espaço para o diferente. No âmbito dos cursos, o instituto passou a oferecer todos os cursos padrão e especiais como cursos via streaming por meio de plataforma online e intensificou a oferta no formato blended learning, modalidade de ensino, que é uma das maiores tendências da Educação do século 21 que combina aulas presenciais e aulas online. 

 

Adaptação para retomada das atividades

De acordo com o diretor do departamento de ensino, Frank Emmerich, logo no início da pandemia as provas de proficiência foram suspensas e só foram retomadas a partir do mês de agosto, e desde então, já estão sendo realizadas as provas para as certificações oficiais. Apesar das dificuldades impostas pela pandemia, o Goethe-Institut Salvador-Bahia rapidamente se adaptou à nova realidade. Após o decreto municipal que suspendeu as aulas presenciais, o instituto realizou imediatamente treinamentos com os professores, forneceu salas de aulas em plataformas virtuais e logo conseguiu se adaptar à nova realidade.

Para Frank, uma das vantagens que possibilitou adaptação em tão pouco tempo é que os professores do instituto já utilizavam a lousa eletrônica, então foi mais fácil transpor para a plataforma virtual. O diretor avalia que a pandemia foi um choque no início, mas ao mesmo tempo possibilitou a reinvenção do instituto, que lançou novos produtos como os cursos online e os formatos blended learning, que desponta novas formas de ensino que continuarão sendo usadas para além da pandemia.

A biblioteca do instituto também precisou se adaptar. De acordo com Ute Engelke, responsável pela biblioteca, o setor só voltou a receber leitores a partir do dia 19 de agosto. Atualmente, a utilização da biblioteca segue os protocolos para manter o controle do fluxo de pessoas e o horário de funcionamento foi reduzido. A visita só pode ser feita com agendamento prévio via e-mail, de terça a sexta-feira, das 12h às 16h.

Além disso, outras ações têm sido desenvolvidas no setor como convite de leitores para ler e estudar ao ar livre e a realização de Workshops de Desenvolvimento de Jogos para Mulheres via plataformas online. Os empréstimos e devoluções funcionam com a mesma prática de reserva e agendamento, no entanto, todos materiais devolvidos permanecem em quarentena antes de serem disponibilizados para novos empréstimos.

 

Novas formas de fazer arte

A adaptação do instituto à nova realidade demonstra um conceito importante no pensar e fazer arte, bem como. No setor cultural, imediatamente após o fechamento, o Goethe-Institut Salvador-Bahia direcionou seus esforços para construir uma programação cultural digital entendendo ser uma oportunidade para experimentar novos formatos e ampliar a presença digital.

Durante o período, o instituto tem desenvolvido projetos como Sala de Dramaturgia Virtual Brasil que reuniu cinco dramaturgos de diferentes regiões do Brasil para a produção de um texto teatral inédito no google docs com leitura dramática ao vivo com atores atuando de suas casas; e o Latitude Festival, realizado em coprodução com a central na Alemanha que conectou artistas e pensadores da Europa, África e América Latina.

Outro destaque na programação cultural do Goethe-Institut, foi o Festival Híbrido Vila Sul Multilinguagem e a conferência “Unidas: mulheres em diálogo”, realizada em parceria com o Ministério de Relações Exteriores da Alemanha e que envolveu mais 70 mulheres na Alemanha e no Brasil, de diferentes etnias, grupos sociais, identidades de gênero e profissões.

De acordo com Leonel Henckes, coordenador de programação cultural do instituto, esses são exemplos positivos de formatos de eventos que permitiram à instituição apoiar artistas e produtores locais e mantiveram a programação do instituto ativa e o público engajado.

“A pandemia gerou na programação cultural do Goethe-Institut, um laboratório de experimentação de formatos criativos e de eventos híbridos ou 100% digitais e nos desafiou criativamente. Intensificou, também, o que considerei algo muito importante, o diálogo entre os colegas dos Institutos da América Latina. O resultado foi um ano de muitas realizações e de grande engajamento de público, artistas e colaboradores,” disse Leonel.

Outra novidade foi o cinema Drive in, uma opção onde as pessoas assistem ao filme dentro do carro. Para essa modalidade, o Goethe-Institut pensou também na democratização de acesso, disponibilizando veículos para famílias ou grupos de pessoas que vivem juntas, mas que não dispõem de carro. Ao todo foram exibidos 32 filmes nacionais e estrangeiros sob a curadoria do NordesteLab. O objetivo do projeto foi, inicialmente, apoiar produtores independentes de cinema e depois foi expandido, sendo que a bilheteria foi sempre revertida para instituições que buscavam dar suporte a artistas na pandemia.

 

Residência artística digital

O programa de residência artística Vila Sul também precisou se adaptar e as temporadas que ocorreram durante a pandemia vieram cheias de novidades. O formato híbrido adotado para o programa possibilitou composições digitais e analógicas, gerando formatos inusitados e diferentes experiências de recepção. Ao todo, foram 15 artistas do Brasil, Canadá, Angola, Burkina Faso e Alemanha interagindo virtualmente e presencialmente (no caso dos artistas nacionais) e produzindo obras artísticas digitais e fisicas.

De acordo com Leonel Henckes, chegou a haver dúvidas se seria possível uma residência digital. “Tivemos dúvidas se uma residência digital seria possível, e foi. Descobrimos a possibilidade do híbrido abrindo espaço para artistas nacionais e os resultados foram muito positivos”, comemorou.