Grito pandêmico

         



Por Zédejesusbarreto
Pena de um estado, de um país que precise e chore por uma Ford. Só querem mamar, sugar, e quando as tetas secam se picam. A Fordlândia, na Amazônia, século passado, é exemplar. A Ford, hoje, é atraso. Tecnológico e de mentalidade. Uma empresa ultrapassada, parou no tempo. Lataria.
Aliás, como nossos governantes, todos, latas velhas. Uns nos quartéis, batendo coturno, como se estivessem na velha ‘guerra fria’, aos assombros. Outros, nos botequins de porta de sindicato, revolução industrial, século XIX, espantalhos. Não atinaram ainda, uns e outros, que estamos em 2021, e, a despeito da pandemia (mais uma na história humana), vivemos outra revolução, a digital, com transformações irreversíveis e absurdamente velozes nas relações de produção, de trabalho, de comunicação, de convivência humana.
Hora de buscar e achar caminhos para sobreviver e progredir, crescer e desenvolver diante dessa nova realidade. O tempo não para. O conhecimento ao alcance dos dedos. Tratores e montadoras são movidos a clics, programações. E as fronteiras são imaginárias.
Ah, como a Ford de Camaçari fechou, rogamos socorro na embaixada da China. Tem sentido? Então, que tal o factoide de acionar o ‘Supremo’ para usar a ‘vachina’ experimental? Afinal, quem pode, quem não pode, quem arrisca? É de direita ou de esquerda? A ciência não tem ciência. De quem é a culpa de tanto desatino?
Daí, a ponte Salvador/Itaparica só começa depois da vacinação... tem lógica? E essa ponte tem trilhos, vai passar por ela algum trem-bala, algum transporte de massa movido a energia solar? Essa gente não entendeu, ainda, que a era da gasolina/diesel, e dos túneis e viadutos está no fim. Cimentamos o amanhã. Essa ponte é tão obsoleta quanto a Ford. Absurda, corrupta e feia, indigna. O azul da nossa Baía de Todos-os-Santos não merece.
O mais importante nesse mundo de monstros dinossáuricos é o controle das mentes, a manutenção dos ‘poderes’, os cargos, as gravatas, as togas, os gabinetes, o uso criminoso do dinheiro público, as loas, ganhar eleições, as da câmara/senado também, não importam os meios. Na pauta, o ‘impiche’ dos ‘lubisone’ de lá e de cá, os hábitos sexuais do gênero humano, a melanina, as proibições ridículas disso e daquilo... são as prioridades.
E o resto ? As escolas fechadas e as crianças/jovens sem ensino, a educação no lixo, a curtura vigorando, a violência à porta, dentro de casa, a fome roendo nas beiradas, o desemprego, a desinformação, o tráfico no comando, o medo nos olhos, a saúde do povo usada como forma de manipular as mentes, a desagregação humana, o lufa-lufa, o descontrole do juízo ... Militemos, pois, a ‘luta’ continua.
Fordam-se !
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Jornalista e escritor