CULTURA PARA SALVADOR

         



Por Antonio Lins
Quando estive à frente da Fundação Gregório de Mattos, elaborei em parceria com o arquiteto e urbanista Joaquim Gonçalves, um projeto que representava uma oportunidade para reestruturar o centro histórico da cidade, por parte do Governo municipal.
A prefeitura capitanearia uma ação fundamental para a cidade, devolvendo a centralidade legítima, à dignidade e a beleza que foram perdidas pelo Centro antigo. Pretendíamos mobilizar o imaginário convocante da cidade, consolidando o centro como um grande espaço cultural de Salvador. O seu complexo cultural conjugaria interesses econômicos, políticos e sociais por um viés cultural, lastreado em um pensamento arquitetônico e urbanístico aprofundado, que projetaria suas relações com a cidade, seria seu
novo cartão postal , sua marca indelével. O projeto propunha um conjunto de intervenções que atrairia investimentos, geração de renda e empregos, trazendo aumento de arrecadação, e gerando um círculo virtuoso relativo à recuperação cultural e sócio-imobiliário-urbanístico daquele trecho fundador da velha cidade da Bahia.

Salvador é uma cidade caracterizada por sua especificidade cultural, resultado da combinação única entre os modos de ser de sua gente e a implantação de seu extraordinário patrimônio arquitetônico, artístico e natural. A requalificação sustentável de seu patrimônio histórico é central para qualquer idéia de desenvolvimento da cidade e sua destinação. Desfigurá-la é um crime.

As intervenções proposta no projeto estão localizadas na área central da cidade, entre a parte alta e baixa e compõem um conjunto de ações que seriam implementadas pela Prefeitura, em parceria com a iniciativa privada e a participação da comunidade.
O projeto gravitaria em torno de dois eixos, que seriam os seus principais equipamentos culturais: Fórum Cultural e de Negócios e o Centro de Convenções e Eventos Culturais, espaço multi- uso que permitiria a realização dos mais variados eventos, tais como peças de teatro, shows musicais e convenções. Estratégico para a rede hoteleira que pretendia implantar-se no entorno. Situado na parte superior da encosta, a proposta integraria dois estacionamentos subterrâneos, sendo um com acesso pela parte baixa da Ladeira da Preguiça e outro, com acesso na confluência da ladeira da Montanha e Rua Carlos Gomes. Suas principais vantagens seriam melhorar a acessibilidade e mobilidade urbana e estimular o comércio local, além de vir responder a uma grave lacuna, a inexistência de um equipamento cultural que contasse a história da cidade do Salvador.

O Museu da Cidade seria um novo equipamento que abrigaria o Arquivo Histórico Municipal.

O Museu seria a memória visual da civilização baiana. Com maquetes e ênfase em uma expografia que privilegiasse a informação, com recursos eletrônicos e digitais; um mergulho na história da cidade, em seus mais variados aspectos. Seria concebido como um dinâmico centro de conhecimento e saber; uma permanente reflexão sobre o passado como maneira de pensar o presente e desenhar cenários do futuro.

Parte dos velhos e abandonados casarios, seriam recuperados, e deveriam fazer parte de um conjunto de atividades culturais, paralelamente a outras atividades de serviços e comércio.
O novo prefeito Bruno Reis, eleito com todas as glórias merecidas, poderia, quem sabe, tirar esse projeto da gaveta; a cidade agradece.
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Antonio Lins é poeta e jornalista. Email: alins@uol.com.br
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