População pode precisar de 3ª dose de vacina contra variantes da covid-19

         



O surgimento de variantes do Sars-CoV-2, coronavírus responsável pela covid-19, preocupou a comunidade científica e os laboratórios que desenvolvem imunizantes contra a doença. Cientistas analisam que pode ser necessária uma dose de reforço para melhor proteção.

Até o momento, as principais variações são as oriundas do Reino Unido, da África do Sul e do Brasil.

Laboratórios como Moderna, Pfizer/BioNTech e Johnson & Johnson já apresentaram os resultados de estudos que analisam o comportamento de suas vacinas contra essas variantes. As pesquisas apontam que elas são eficazes na proteção contra as formas graves da covid-19.

Os imunizantes, no entanto, fazem com que o sistema imunológico humano produza uma quantidade um pouco menor de anticorpos do que o normal ao entrar em contato com as novas formas do coronavírus –em especial as da África do Sul e do Brasil.

“O que apareceu nesses dados preliminares é que houve uma queda no percentual de pessoas que não tiveram nenhum sintoma. Mas não teve aumento no percentual de casos graves”, diz o virologista Felipe Naveca à BBC News Brasil. Ele é pesquisador da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e participou do 1º sequenciamento da variante brasileira.


Segundo Naveca, o mais importante é que o imunizante proteja das formas graves da doença. “Agora, se os estudos demonstrarem queda de eficácia nesse sentido, provavelmente as pessoas já vacinadas precisarão ser reimunizadas, com vacina adaptada, ou tomar uma dose adicional”, afirma.

O virologista Julian Tang, professor da Universidade de Leicester, no Reino Unido, concorda. “Pessoas que já se vacinaram poderão ter que tomar mais uma dose, quando adaptações das vacinas forem concluídas para proteger contra variantes”, fala à BBC News Brasil.

O ministro da Saúde do Reino Unido, Edward Argar, anunciou nessa 2ª feira (8.fev.2021) que o governo britânico estava prevendo imunização anual contra a covid-19, como já é feito com a vacina da gripe.

“Nessa mesma época no ano passado, tínhamos o vírus que surgiu em Wuhan, na China. Neste ano, já temos 3 variantes que causam preocupação. Nesse período do ano que vem, poderemos ter mais variantes. Então, é possível que a vacina tenha que ser atualizada todo ano para acompanhar esse ritmo”, declara Tang.

As farmacêuticas estão adaptando as suas vacinas para uma melhor resposta a mutações do coronavírus.

O laboratório farmacêutico britânico GSK (GlaxoSmithKline), por exemplo, anunciou que se uniu ao alemão CureVac para desenvolverem em conjunto uma vacina contra as novas variantes. Eles esperam que o imunizante esteja pronto em 2022.

Do Poder 360/Foto: Pixabay