Voluntariado aumenta engajamento e favorece projeção das empresas no mercado

         



Crescem, no país, as empresas que estimulam profissionais a dedicarem parte da jornada em ONG’s e projetos de interesse comunitário desenvolvidos ou apoiados pelas próprias corporações.   


Para muitas empresas, além de gerar impacto social e possibilitar a troca, agregando conhecimento, o voluntariado aumenta o engajamento dos funcionários, ressignifica a colaboração e a lógica do trabalho em equipe, estimula a criatividade, mobiliza, gera sensação de satisfação no ambiente corporativo e contribui para que os profissionais estejam preparados para os desafios de uma economia globalizada.   


Um estudo realizado em 2017, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que programas voluntários aumentam em cerca de 16% o engajamento dos profissionais nas organizações, e pesquisas recentes indicam que o trabalho voluntário cresceu nas empresas.    

 

Especialista em desenvolvimento de lideranças, empreendedor e investidor anjo de startups, Cezar Almeida, presidente da Junior Achievement, destaca que a promoção de ações sociais de forma corresponsável, nas corporações, contribui também para a criação de vínculos de confiança – o que gera retorno às empresas no trabalho cotidiano.   

 

“Quando as pessoas participam de um trabalho voluntário capitaneado pela empresa, liderado pela empresa ou mesmo de empresas que cedem horas de para isso, o resultado é um maior engajamento, porque há uma conexão entre aquilo que o profissional executa no trabalho e um retorno palpável para a sociedade. E os benefícios de funcionários mais engajados são diversos, desde um melhor atendimento ao cliente até a qualidade do produto e o lucro final, então o engajamento do time é diretamente proporcional a resultados corporativos positivos”, afirma Cezar Almeida, que salienta ainda o desenvolvimento pessoal e profissional de quem pratica o voluntariado.   

   

Trabalho voluntário em tempos de pandemia   

Se, por um lado, a expansão da COVID-19 impôs a necessidade de isolamento, com reflexos diretos no cenário econômico, por outro, as dificuldades fizeram multiplicar as ações de trabalho voluntário de pessoas e empresas, que se mobilizaram para contribuir de alguma forma no enfrentamento à crise.   

 

A Atados, iniciativa social que conecta pessoas e organizações, em todo o país, facilitando oportunidades de voluntariado, revela que, na pandemia, houve um aumento de 12% nas inscrições para trabalho voluntário, no comparativo com 2019.   

 

Regionalmente, esse crescimento também foi sentido. De março a agosto de 2020, o número de voluntários na plataforma Bahia. Estado Voluntário cresceu 142%.   

 

De acordo com Cezar Almeida, presidente da Junior Achievement, para as empresas, o estímulo ao voluntariado, em um momento desafiador, pode trazer impactos significativos. “Nós estamos no mesmo ambiente, no mesmo ecossistema, que é o planeta Terra, e somos responsáveis uns pelos outros de alguma maneira. Então se estamos em condições de oferecer algo, que a gente faça isso. Não no sentido de responsabilidade individual por algo que tenha acontecido, mas eu tenho como minimizar, quem sabe, impactos do que está acontecendo”, ressalta Cezar Almeida.   

   

Corresponsabilidade e potencial de transformação   

Para o presidente da Junior Achievement, o voluntariado amplia a participação de organizações no seu papel social; ao investirem tempo, habilidades e recursos, as empresas ou empreendedores promovem transformações, independente do tamanho da corporação, e isso reverbera na cultura organizacional.   

 

De acordo com a publicação “Millennial Careers: 2020 vision”, da Manpower Group, a responsabilidade social é um dos critérios mais valorizados na hora de escolher um emprego, e os chamados “millenials” – pessoas nascidas entre meados da década de 1985 e o fim dos anos 90, que correspondem a mais de 50% da força laboral, atualmente – preferem trabalhar em empresas com propósito.   

 

“O voluntariado vem de uma cultura que não espera que alguém resolva os desafios, e sim que vai ajudar a resolver a questão. Quando eu faço um trabalho voluntário ligado à educação, por exemplo, não estou querendo tirar a responsabilidade do estado, em oferecer educação de qualidade, mas, entendendo que o estado não está sendo suficiente para dar a educação que o nosso jovem precisa, eu vou fazer algo para que esse jovem possa se desenvolver melhor, conquistar colocações no mercado de trabalho, se tornar empreendedor ou atuante dentro das organizações. Então essa é a perspectiva: eu não isento os agentes públicos e privados de suas responsabilidades, mas entendo que também posso fazer a minha parte”, observa Cezar Almeida.   

 

Sobre a JA   

Uma das maiores organizações sociais incentivadoras de jovens do mundo, a Junior Achievement, fundada em 1919, estimula o desenvolvimento de estudantes para o mercado de trabalho através do método “aprender-fazendo”.    

   

A cada ano, a rede da JA Worldwide mobiliza cerca de 470 mil voluntários que capacitam mais de 10 milhões de alunos em mais de 100 países. Há 36 anos no Brasil, a JA leva conteúdo para todos os estados e já capacitou mais de 5 milhões de alunos com o apoio de mais de 150 mil voluntários.