Assessores da família Bolsonaro sacaram mais de R$ 1 milhão em dinheiro vivo

         



A quebra do sigilo bancário e fiscal de funcionários ligadas ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) na investigação do esquema das "rachadinhas" revelou que o mesmo arranjo também era praticado nos gabinetes do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e do presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) durante seu mandato na Câmara.

De acordo com levantamento feito pelo site UOL, quatro funcionários de Jair retiraram 72% dos seus rendimentos em dinheiro vivo, o que representa R$ 551 mil dos R$ 764 mil líquidos entre salários e benefícios.

No gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, a quantia observada de retirada foi de R$ 570 mil, o que representa 87% do montante total devido aos funcionários. Os dados financeiros avaliados abrangem o período de 2007 a 2018, período em que muitos dos funcionários investigados transitaram entre os gabinetes da família em diversas funções parlamentares.

Outras despesas

O levantamento também apontou outras despesas pagas com dinheiro público para pessoas ligadas à família Bolsonaro. De acordo com o UOL, a ex-chefe de gabinete do senador Flávio, Marina Mota, fez pagamentos relativos ao aluguel de uma quitinete no centro do Rio com verba de gabinete. O morador do local era Leonardo Rodrigues de Jesus, o Léo Índio, primo de Flávio.

Segundo o Ministério Público, o dinheiro era diretamente sacado da conta de Mariana, que no período trabalhava para Flávio na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), e repassado para pagamento das despesas de Léo, que também era lotado na Alerj como assessor parlamentar do deputado.

Outra beneficiada no esquema foi a ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle. De acordo com a investigação, Jair Bolsonaro empregou por 8 anos, de 1998 até 2006, a irmã de Ana Cristina, Andrea Siqueira Valle, que repassou um montante de R$ 54 mil reais, equivalente a R$ 110 mil na atual inflação, para a ex-cônjuge do atual presidente.

O período dos repasses corresponde ao período da união entre Bolsonaro e Ana Cristina, que durou até fins de 2007. Pouco depois da separação, a conta utilizada para recebimento dos salários de Andrea foi zerada. A ex-cunhada de Bolsonaro declarou ainda o apartamento utilizado como moradia, na Barra da Tijuca, pelo ex-presidente ao imposto de renda. De acordo com a investigação, Andrea nunca morou no Rio de Janeiro ou em Brasília durante o período que foi lotada no gabinete do então deputado federal Jair Bolsonaro vivia em Resende, sul do estado do Rio de Janeiro, onde trabalhava no setor de serviços gerais.

Investigação

Em 23 de fevereiro o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou as provas decorrentes das quebras de sigilo bancário e fiscal da investigação do caso das "rachadinhas" no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, atendendo a um pedido de habeas corpus feito pela defesa do atual Senador.

A decisão foi interpelada pelo Ministério Público Federal (MPF) que recorreu da decisão ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo, 14.

Uma nova reunião da 5ª Turma do STJ, responsável pelo julgamento da anulação, está marcada para esta terça-feira, 16, para julgar mais dois recursos enviados pelas defesas de Flávio Bolsonaro e Fábricio Queiroz, apontado como operador do esquema.
Do Uol