Governador Rui Costa diz que Saúde na Bahia está em colapso

         



O governador da Bahia, Rui Costa (PT), admitiu ontem, pela primeira vez, que o sistema de saúde do estado está em colapso. Disse, porém, que esta situação ocorre em todo o país, por causa do "desastre na condução por parte do governo federal”. “O que a Fiocruz chama de colapso, e é colapso, é toda vez que você tem um número de pacientes grande na fila esperando. Na medida em que você não consegue regular um paciente que precisa de UTI em menos de 24 horas, já é um sinal de colapso do sistema. Nós temos 400 pacientes (aguardando na fila)”, declarou, em entrevista à imprensa, durante a vistoria ao Hospital Metropolitana, em Lauro de Freitas, onde serão abertos mais de 280 leitos.

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) informou anteontem que o Brasil passa pelo "maior colapso sanitário e hospitalar da história". O monitoramento divulgado pela instituição aponta que 24 estados e o Distrito Federal estão com taxas de ocupação de leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Sistema Único de Saúde (SUS) iguais ou superiores a 80%. Rui diz ter “absoluta convicção” que a realidade do país seria outra, caso o governo federal tivesse adquirido as vacinas da Pfizer. Segundo ele, se o contrato com a empresa tivesse sido assinado ano passado, as doses já estariam disponíveis em dezembro de 2020 e boa parte da população brasileira estaria vacinada.

Mais cedo, em entrevista à TV Record, Rui Costa descartou a possibilidade de falta de oxigênio na rede estadual hospitalar. "Na rede estadual, nós não temos problemas. Temos grandes reservatórios e as empresas estão abastecendo. Não temos risco algum nos hospitais estaduais. Só que temos uma rede de quase 400 hospitais municipais, que no funcionamento normal demandam pouco oxigênio. A maioria faz cirurgia de baixa complexidade, e não demanda oxigênio neste volume. Só que como essas unidades estão com pacientes com covid recebendo suporte voluntário aumentou muito o volume”, pontuou. De acordo com o governador, o governo estadual tem procurado comprar mais cilindros de oxigênio até no mercado internacional para tentar resolver a situação. Enquanto isso não ocorre, pacientes têm sido transportados para outras unidades de saúde.

Rui Costa voltou a fazer um apelo para que os prefeitos obedeçam aos decretos estaduais, que determinam o fechamento do comércio não essencial nos finais de semanas. “A maioria do estado está com toque de recolher e com decreto, para que no sábado e no domingo, só haja funcionamento do comércio essencial. Alguns prefeitos flexibilizaram. Volto a reiterar meu pedido. O comércio precisa dar sua contribuição. Eu sei do sacrifício, do esforço. É só um dia sem funcionar (o sábado) para que a gente tenha dois dias (sábado e domingo) de menor contato. É melhor isso do que a situação se agravar e ter que fechar a semana inteira”, advertiu.
Com a Tribuna