Neto tenta se distanciar de Bolsonaro e adota perfil crítico nas redes sociais

         



Sem conceder entrevistas à imprensa desde o início de fevereiro, o ex-prefeito de Salvador e provável candidato ao governo da Bahia no próximo ano, ACM Neto (DEM), tem usado as redes sociais para se posicionar. Embora a oposição tente atrelá-lo ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido), o democrata soteropolitano tem sido um crítico, até aqui, ao presidente da República, sobretudo, na condução da pandemia da Covid-19.

A Tribuna contabilizou, pelo menos, 12 ataques de ACM Neto ao governo Bolsonaro no Twitter nos meses de fevereiro e março. As críticas ocorreram após o democrata romper com o deputado federal João Roma (Republicanos), que aceitou ser ministro da Cidadania. No dia 12 de fevereiro, quando Roma foi nomeado, Neto avisou que, com esta decisão do parlamentar, não iria “limitar a expressão das minhas opiniões ou reduzir as minhas críticas” ao governo federal. “(A nomeação) serviu antes para reforçar a minha certeza de que me manter distante do governo federal é o caminho certo a ser trilhado, pelo bem do Brasil”, escreveu.

Neto ficou irritado com a nomeação de Roma porque deu força a versão de que ele decidiu pela neutralidade do DEM na disputa pela presidência da Câmara em troca de cargos no governo. Acusação feita pelo ex-presidente da Casa, Rodrigo Maia. ACM Neto teria ficado chateado ainda porque não queria se associar a Bolsonaro, por temer ser atrelado ao desgaste político.

Sete dias após o rompimento com Roma, Neto criticou a falta de vacinas. “O governo federal não pode mais se furtar às suas responsabilidades diante dessa tragédia sanitária e econômica”, afirmou, ao chamar o Plano Nacional de Imunização de “peça de ficção”. No dia 24 de fevereiro, declarou que “muitas vidas ainda serão perdidas para a negligência de um governo que insiste em desprezar a gravidade dessa tragédia”. Em 10 de março, o ex-prefeito afirmou que a falta de vacinas prejudicava a retomada econômica. “Sem os imunizantes, o vírus se espalha mais rapidamente, o colapso na rede de saúde se agrava, a economia afunda e o país bate recordes de mortes a cada dia”, pontuou.

Já, em 23 de março, declarou que o crescimento das mortes era resultado da “omissão, irresponsabilidade e negacionismo” de Bolsonaro. Anteontem, usou as mídias sociais para falar sobre as mudanças no governo. Disse que recebeu com “surpresa” a notícia da demissão do general Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa. Para ele, foi “uma perda para o Brasil, que enfrenta um momento de tanta turbulência”.

Desde que rompeu com Roma e brigou com Rodrigo Maia, ACM Neto tem evitado conceder entrevistas à imprensa. Aos aliados, disse que “esperava um tempo de paz depois de sair da prefeitura, mas janeiro e fevereiro foram de muitas emoções”, ao se referir aos conflitos. Tem dito ainda que “agora estou respirando”, porém, pretende retomar as agendas de entrevistas e viagens ao interior nos próximos dias de olho no governo da Bahia.
Da Tribuna