Roma é o perfil que Bolsonaro precisa para fazer palanque na Bahia

         



Por Victor Pinto
Desde que assumiu seu lado bolsonarista na política e se apossou do pomposo ministério da Cidadania da gestão do presidente Jair, o ex-chefe de gabinete de ACM Neto e deputado federal licenciado, João Roma, do partido da Igreja Universal, tem se saído um funcionário exemplar do capitão no cumprimento a risca da cartilha do “táokei”. Já participou de lives com presidente, tem dado declarações que se alinham com o modo de pensar do governo e isso tem incomodado alguns, apesar de não ser um polêmico estapafúrdio.
 
O deputado esteve na Bahia, precisamente em Camaçari e em Serrinha, regiões distintas, e dominou o noticiário político diante das suas entrevistas, da comitiva que o acompanhou e também dos bastidores. Roma, no fim de semana, rivalizou os holofotes na mesma proporção com ACM Neto (DEM). O democrata fez uma coletiva que também movimentou. 
 
Até pouco tempo eu seguia incrédulo do desconforto e ira causados em ACM Neto diante da ascensão do seu ex-apadrinhado, seja por descumprir uma decisão sua e assim levar indiretamente a sua imagem ao governo que não quer apoiar, seja por ver um “menudo” se descolar e alçar voo próprio já no cenário nacional. Roma saiu debaixo do pé dele. 
 
Eu ainda tenho uma pulga atrás da orelha desse cenário, mas na dita coletiva, Neto demonstrou total desconforto quando questionado sobre o assunto. Em Brasília se aponta que o partido deu lastro a Roma e o cacifou para tomar a decisão, independentemente de Neto. E é a mesma sigla, o Republicanos, que não está com questão fechada 100% para 2022, fomentadora da possibilidade de lançar uma candidatura no Estado ao Executivo pela primeira vez e quem sabe assim embalar uma bancada legislativa. 
 
Roma pode ser tudo aquilo que o presidente da República, cuja reeleição não sai da cabeça, precisa para ter um digno palanque político para 2022 no Estado comandado pelo PT: conhece a Bahia, as lideranças, sabe fazer as articulações políticas - diferente de alguns auto intitulados candidatos ou políticos de Bolsonaro que nunca nem receberam os cumprimentos e nem um pedido de voto do líder político. O PSL baiano, feito em cima das costas do presidente, hoje se volta contra e flerta com o MDB. 
 
Essa divisão de votos no grupo da oposição, com Roma de um lado e Neto do outro, agrada e muito ao petismo, que enxerga nesse racha a possibilidade de se sair melhor na urna do que numa polarização direta. Porém, para o avanço de uma articulação a longo prazo, apesar do contexto não ser favorável, o primeiro passo ou de Roma ou do próprio Republicanos, precisa ser dado. 
 
Um adendo: seria um tudo ou nada para Roma, pois se Bolsonaro não garantir a reeleição e a disputa do Palácio de Ondina minguar, que espaço ele terá na política sem mandato e sem cargo? Só se estiver realmente disposto em tentar despontar como uma nova liderança, independente dos cenários.
---------------------------------------
Jornalista. twitter: @victordojornal