Grupos de Moradores de Stella Maris abraçam a restinga

         



Sem aglomeração, usando máscaras e mantendo o distanciamento, grupos organizados de moradores da região de Stella Maris, Praia do Flamengo e Ipitanga promoveram, na manhã deste sábado (24), manifestação em defesa da preservação e recuperação da vegetação da praia (restinga, coqueiro e cactos). No trecho onde está sendo executada a obra de requalificação da orla, com supressão de maciços de restinga e captura de animais nativos (iguanas e lagartos), os manifestantes deixaram claro que não são contra a urbanização, mas que ela seja feita de forma sustentável.

A bióloga Debora Bluhu, moradora do bairro há muitos anos e integrante do Salve Stella Maris, explicou que a iniciativa foi em conjunto com os grupos Guardiões do Litoral, SOS Stella Maris e Ações Stella-Flamengo, que formaram uma equipe voluntária multidisciplinar para acompanhar a obra. A equipe possui, além de biólogos, geólogos, oceanógrafos, engenheiros e outros profissionais que moram na região.


Em síntese, segundo ela, o movimento reivindica a manutenção e recuperação da vegetação local, sem a construção de equipamentos em alvenaria (quiosques, quadras, bares); cuidado e preservação com a fauna; pavimentação da Avenida Beira Mar com piso intertravado em toda a sua extensão em lugar de asfalto; colocação de lixeiras em pontos estratégicos; iluminação adequada, voltada para o continente, para não interferir na vida animal, a exemplo da desova de tartaruga; e a colocação de pistas de acessibilidade feitas em materiais naturais.
Por meio de cartazes os moradores pediram “Mais verde, menos cimento” e avisaram que “Desmatar a restinga é crime”, entre outras frases. Após o abraço o grupo pregou cartazes no tapume do canteiro de obras e circulou por algumas ruas do bairro chamando atenção da comunidade para a necessidade da Prefeitura de Salvador, executora da obra, ouvir os apelos dos grupos e revisar o projeto nos pontos questionados.