Adeus, companheiros!

         



Por Gilson Nogueira
Acabo de enviar ao amigo Antonio Matos, meu padrinho no jornalismo escrito, mensagem de meu celular para o dele. Comecei dizendo que estava de barriga para cima recebendo o azul pelos peito, assim, sem s no final, que é como se fala na Capital do Berimbau. Buscava falar com um colega e amigo sobre haver escrito um texto assinalando a dor da saudade, por havermos perdido, em pouco tempo, a companhia de três colegas de profissão, ases da escrita, amigos de fé, irmãos de sempre, merecedores de letras maiúsculas na capa de nossos corações. Até agora, fico olhando os sites para os quais enviei  texto pingando lágrimas de saudade e não o achei. Internet tem dessas coisas, consolo-me, enquanto imagino Paulinho Tavares, o velho Liza, Eliezer Varjão e o elétrico Renato Pinheiro, um trio de esgrimistas da decência e da liberdade que deixou grafada na História da Imprensa da Bahia a palavra Competência em letra maiúscula. " Êta porra, em pouco espaço de tempo, a vida nos dá essa porrada!", bradei, no silêncio de minhas saudades mais chorosas, em plena pandemia, obrigado a ficar em reclusão doméstica por conta de um vírus de olhos puxados que está matando mais que as últimas guerras. A agonia de não ter ido ao enterro dos meus colegas e amigos faz-me fitar o espaço, como nunca, nos últimos dias, na esperança de ver um Raio Azul, Vermelho e Branco gritando " Adeus, companheiros, estamos de olho!"
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Jornalista