ACM Neto tenta minimizar ´efeito Lula` em eleição na Bahia

         



Em entrevistas recentes a sites e a rádios, o ex-prefeito soteropolitano ACM Neto (DEM) tem tentado minimizar um possível “efeito Lula” na eleição ao governo da Bahia em 2022. Aliados do democrata admitem, até publicamente, que o retorno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao jogo político alterou o cenário eleitoral brasileiro, e deve ter reflexos na disputa pelo Palácio de Ondina no próximo ano.

O primeiro levantamento do Instituto Paraná Pesquisa, divulgado em março, mostrou que Lula lidera a corrida eleitoral na Bahia, e teria 40% das intenções de votos. Já a segunda pesquisa mostrou que o pré-candidato do PT ao governo, o senador Jaques Wagner, dá um salto nas intenções de votos quando o eleitor sabe que ele tem o apoio do ex-presidente. Para tentar atenuar o “efeito Lula”, Neto tem dito que “a eleição presidencial não vai resolver a eleição para governador da Bahia”. Tem afirmado ainda que conseguiu vencer o pleito para prefeitura de Salvador em 2012 contra Nelson Pelegrino (PT), mesmo com o petista tendo o apoio de Lula.

O ex-prefeito democrata tem ressaltado também que, se eleito governador, conseguiria administrar o estado, mesmo tendo um presidente da República adversário político. “Eu saberei governar, caso seja candidato e eleito governador, com qualquer presidente. Em 2012, eu lembro bem que havia um discurso em Salvador que ‘ah, o prefeito não pode ser do partido diferente do partido do presidente e do governador, senão não consegue trabalhar pela cidade’. Eu contestei esse discurso e comprovei, em oito anos como prefeito de Salvador, que é possível, sim, ser de partido diferente e trabalhar direito. Eu fui oito anos prefeito, e sendo, nos oito anos, o governador do PT. Portanto, em campos políticos opostos. E três presidentes diferentes. Trabalhei com Dilma, depois com Temer e, por último, com Bolsonaro. Nunca procurei culpados nem desculpas para nada. Pelo contrário, assumi minhas responsabilidades como prefeito e assim pretendo, caso venha ser candidato e seja eleito governador”, declarou nesta semana, em entrevista à rádio Nova Lapa FM, de Bom Jesus da Lapa.

MUDANÇA

Nas entrevistas, Neto também tem demonstrado ainda uma mudança no tom do discurso sobre o ex-presidente. No ano passado, antes da eleição, afirmou que "o mito Lula acabou". “Lula saiu (da prisão) e não mudou nada. E o presidente Lula já não é mais a liderança que foi no passado”, disse. 

Depois do pleito, o ex-prefeito disse que as eleições de 2020 “ajudaram a acelerar o processo de aposentadoria do Lula”. “Antes era assim: Lula botava a mão no ombro, parecia uma varinha de condão que, automaticamente, transformava o candidato num nome competitivo. Não aconteceu isso desta vez. Salvador é um exemplo disso”, disse. Nesta semana, Neto afirmou que Lula “tem uma liderança incontestável no Brasil”. O democrata tem dito, no entanto, que o ex-presidente “não vai ter força para decidir a eleição na Bahia” em 2022.
Da Tribuna